Revista commercial do Pará Janeiro - 1918
4 REVISTA COMMERCIAL DO PARÁ O CAMBIO PARECE que afinal encontramos o nivel do nosso cambio que, sobre Londres, seria 13d devendo permanecer nessa proxi– midade, salvo casos imprevistos e anormaes. Viemos de 15 3 /Jo a 15d em Setembro de 1915 baixando a 14 3/IG em Dezembro de onde resvalamos até 11 ¼ e dahi a 12 1 /2 em fins de Maio de 1916, tendo se registado, no t.o se– mestre desse anno, a média 12 6310, contra 12 6 /o, para o 2.o semestre ou sejam 12 7 /Js para a média annual. Já em 1917 ti– vemol-o a 13 ¾, mas um largo periodo de estabilidade se fez na proximidade de 13d após a regularisação das contas de exercícios findos do Governo federal, restabelecimento d~ pagamentos no interior e no exterior, equilibrio orçamentario e outras demons– trações de normalidade dos nossos negocios internos e externos. Voltando a importação e a exportação ao montante dos nossos negocios antes da guerra, bem demonstra que encor 'ra– mos o nível geral indicado pela natureza dos proprios negocios que se vão fixando nessa base ou razão de 13d. Se não for perturbado esse estado de cousas poderemos manter esse cambio duradouramente, com tódas as probabilida- des de melhora, moderadamente. · Se o Governo e Congresso afinal cederem ao clamor geral de criação de um Banco Emissor do Brasil forte e bem appare· lhado para occupar o verdadeiro Jogar de um Banco do Brasil como é o Banco de frança, o Banco da Inglaterra e tantos ou– tros, nem só tornará faci l essa estabilidade desejada, como no– vos surtos de prosperidade e solidez nos advirão. Talvez melhor servisse os interesses geraes do paiz uma taxa menor: 12d por exemplo. Mas, isso não se pode fazer arbitrariamente e só pode ser determinado pela natureza dos proprios negocios. ~ todo caso, a ser dada a faculdade de emissão ao Banco do Brasil ou outro Banco qualquer, seria de toda conveniencia attender a essa questão de taxa, que a todos interessa. Tanto mais se se tiver de liquidar a Caixa de Conversão que passará a funccionar annexa a propria Caixa do Banco. E não será isso cousa de pouca monta, attendendo a econo– mia que com essa reforma se fazia, podendo a Caixa de Amor– tisação ser fundida ao Thezouro ou á Casa da Moeda e pas– sando o seu edifício ao Senado, que quer, nesta epocha de pe– nurias e economias forçadas, edificar um palacio, no valor de muitos contos de réis, para as suas reuniões. Talvez fosse o meio de acomodar a tout le nwnde et son pire . . . Não conhecemos o convenio feito com o governo francez sinão atravez de parcas noticias dos jornaes. Entretanto, pa– rece que o governo brasileiro receberá i 10.000 mensalmente de fretamento de cada vapor ou sejam i 300.000 por mez. Se as necessidades do Thezouro federal, como disse o snr. CALOOERAS, são de cerca de i 360.000 mensaes, segue-se que te– remos o governo fóra do mercado, não mais intervindo para compras de cambiaes diariamente como fazia. A falta de um tal comprador quando a importação é limitada ou mesmo dimi– nuta, comparada com a exportação, trará uma abundancia de cambiaes ·no mercado que poria em alta continuada a nossa taxa de cambios, o que por certt> deve merecer particular atten– ção dos poderes publicas que, estamos certos, procurarão pôr um freio nesse surto de prosperidade que no momento não se jus– tificaria pelo damno que poderia causar aos nossos productores que de Norte a Sul não podem nesta occasião aspirar grandes altas nas taxas cambiaes. Abrir a Caixa de Conversão para recolher o excesso de ouro, quando houvesse, talvez fosse uma medida acceitavel se os tempos fossem normaes ; porém, o ouro para alli não pode affluir por que a sua exportação está prohibida em todos os paizes que o teem e é possível até que ainda nos viessem bus- car o pequeno lastro que ahi está. O alvitre lembrado pelo snr. GUANABARA de armazenar no exterior esse excesso de ex– portação sobre a importação, talvez fosse acceitavel se lá tives– semos um Banco do Brasil para acolhei-o, o que nos daria aqui aso a emittir o seu equivalente em papel convenientemente las– trado até o limite das nossas posses. Em todo caso, confiemos na acção patriotica dos poderes publicos e prestigiemos-lhe a acção que no momento se está fa– zendo com toda efficiencia. - :E -UJ ..J UJ C0 E QJ o - C0 :é < u QJ 'O cn < >< < l- \. 1 < 1-- cn > -< 1 r- - °' - 1 < 1-- cn > -< cn 11-1 c:r: o z o ~ 11-1 c:r: CXl o cn BSSJO$ r- M 00 BJIBII N '<:' '° BqUBds 1 aH N o o- 1ullnµod r- '° N W!iJ98 ,o N 00 M SJJed M r- '° ~JOA-MBN °' N '<:' 1 r- ~ "' - ·;: < - 1 - õ, ... .... i - - - cn "' '° < ~ õ, õ .... g .... - - "' IJ") - ÕÕ':' o- - '<:' - cn 11-1 N 11-1 o :E ... ·.:; e "' -.. o- '<:' M o M '<:' '° õõ 00 00 00 o - o o o r- 00 00 '° '° '° '° - '° r- 00 õ, o õ, °' 00 '<:' M o '<:' '° '° '° '<:' N N N N o o o ! '<:' IJ") '° 00 00 00 r- '° M õ, N o M r- r- r- '° o '° r- r- IJ") ,n - N N N o- '<:' '<:' '<:' M ... ... "' ;;;!- f > - "' "' .... - .... N ... - - .... .. ... "' J?- ~ - -e N N N M - .... - - ... "' ., > ~ ~ ~ - - - - - .... .... - "' "' ... "' > ~ ;;:. 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E E o E .o .e: o "' ::, ., ., .e: o ~ > N e :i bD :i o QJ ::, QJ -.. -.. < <Jl o z o STOCKS de BORRACHA J Á por vezes dissemos da importancia para nós do conheci– mento do estado dos stocks em mercados consumidores. Infelizmente cada vez se torna mais difficil conhecei-o e até hoje não conseguimos um serviço de informações dos de 1917 a despeito do anno já ter findado. Como tratar da defesa economica de um producto, desco– nhecendo o estado do seu mercado ? Isto nos está indicando que precisamos de um serviço de organisação que deve anteceder a toda e qualquer medida. E este só se pode fazer tendo bureaux, embora modestos, nos principaes centros consumidores. Mas, dado a nossa falta de methodo e ordem em tudo que emprehendemos, havemos de tudo fazer - as cégas e sem saber o que vamos fazer ... Em todo caso ahi vão os algarismos até fins de 1916 que não poderão ter soffrido grandes modificações, para peior, pelo lado dos nossos interesses.
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