Revista commercial do Pará Janeiro - 1918
16 REVISTA COMMERCIAL DO PARÁ DIVIDA da UNl ÃO A DIVIDA da União, externa, consolidada, era recentemente de i 112.312.968, dos quaes i 53.952.760 a juros de 4 o/o - i 6.866.200 a .juros de 4 ½ e i 51.494.008 a juros de 5 % requerendo um serviço de juros total, annualmente, dei 5.042.689.· Havia ainda em circulação, a juros de 6 % i 1.407.684 em letras ouro. O total do serviço de juros e amortisações, em detalhes, era o seguinte : Juros da divida extema- i 5.127.150 = Amortisação no total de - i 1.123.330 = Juros de letras em circulação 102. 543 contos 22.466 1.961 46.681 Pessoal dos diversos Ministerios - Total · As duas Camaras legislativas e serviço / eleitoral . . . . . . . Deficit provavel da E. f. C. do Brasil . Subvenções á Navegação. . . Soccorros publicos e assistencia a allie- nados. . . . . . . . Serviço do Culto Catholico . . Estabelecimentos de Caridade . Commissões e Corretagens . Juros e amortisações . . . . . Rs. Total ( papel ) - Rs. Receita Geral do Paiz ( orçam. de 1917) 239.755 contos 5.316 27.000 7.627 • 2.694 • 68 e 761 160 • 283.381 contos 204.189 • 487.570 contos 622.475 • da divida consolidada. ás Caixas Économicas Garantias de juros ·• . . . 9.500 j Differença - Rs. 134.905 contos 21.038 204.189 · 1 . . . para occorrer a todas as despezas do paiz . . . Como se vê o mal é de origem - vem da raiz . . ESTADO -do PARÁ S ERÁ demasiadamente cêdo para dizer da actual administração ' do Pará, do seu estado financeiro e economico, durante o curto espaço de poucos mezes após uma épocha- anormal por que passamos . . . Debatendo-se com heroecidade entre difficuldades de toda sorte, basta relêr quanto temos dito, parcelladamente, de cada um dos nossos productos de que nos occupamos em secções diversas desta Revista. A queda brusca da Receita publica tem obstado os surtos de iniciativa governamental. Entretanto, sem ella hoje nada se faz. No momento actual, mais que nunca, se impõe a diffusão do ensino profissional sob todos os aspectos pedagogicos, 30- ciaes, políticos, economicos, moraes, e isso não se pode fazer sem dinheiro. O ensino technico está clamando como uma das nossas maiores necessidades, a formar profissionaes capazes de tudo ensinar a fazer - fazendo. Os beligerantes, em plena guerra, não descuram um mo– mento dos serviços de Instrucção em geral, salientando-se os E. U. A. com as suas chamadas Escolas de Vocação, cujo successo está sendo um assombro. É mister reformar o que ahi se está praticando com o nome de lnstrucção Publica e implantar no espírito publico e especialmente do nosso professorado retrógrado e mal orien– tado, o fim utilitario das cousas e consequentemente do ensino. Deixemos a preoccupação de fazer sabios e litteratos e faça, mos homens aptos para o trabalho. O Rio Grande do Sul já creou cursos complementares, pra- 1 ticos, para os obreiros do campo, que em plena juventude estão dalli sahindo para o trabalho, habilitados a cêdo ganharem a j vida nos diversos ramos da industria e da lavoura. A disposição do nosso povo e o espírito da nossa raça é excellente : falta apenas quem o oriente. É coordenando essas forças e melhorando-as que havemos de crear e progredir. Cercado de excellentes auxiliares, como se acha, o Governo do Estado está apto a bem administrar. Como bem diz o Snr. DR. Jost MALCHER no seu bem ela– borado Relatorio apresentado ao Snr. Dr. Governador do Es– tado, • não podemos continuar a confiar cégamente, como até aqui temos feito, num producto cujo preço a cada oscillação que soffre determina uma crise, maior ou menor, na nossa vida eco– nomica e financeira •· • É forçoso enveredar por outro trilho, senão abandonando de vez tão valioso producto, pelo menos agindo rto sentido de, aproveitando o seu valioso concurso, reerguer e fazer prosperar a agricultura e a lavoura •· •Da acção estimulada pelo Goveq10 e da que deve derivar do interesse particular é que hão de provir os resultados e vantagen s que virão coroar os esforços dos que se empenharem por tão uteis emprehendimentos •· • Levantemos o credito publico, estimulemos todas as ini– ciativas por meio de auxilios directos e indirectos, e, dentro em bréve, teremos o problema economico e fin anceiro da Amazonia bem circumscripto e garantido para sempre o esplendoroso fu– turo que lh e está reservado•. Como se vê são idéas sans, de gente môça, cheias de fé e de esperança. Resta passai-as de palavras a acção e quando se quer, tudo se faz. É mister economias? Sacri_ficar algu ns pelo corte de des– pesas? 1 façamol-o, mas busquemos dentro do nosso orçamento os recursos de que se carece para sahir deste estado mórbido que nos está matando. É necessario buscar novas fontes de receitas pelo esti mulo de novas producções e a necessidade não tem lei ... Necessitas caret lege. Não podemos ter dois Congressos, tenhamos um só ; faça– mos trabalhar os . p~esos, os insanos dos hospitaes, os mendigos e_ as escolas profiss1onaes para proverem a sua propria manuten– çao, sem serem pesados ao Estado, remodelando por compl eto e~se orç~mento que ahi temos até deixar o saldo de qu e se pre– cisa e nao ha onde buscar. Abaixo offerecemos os quadros em resumo da receita e despesa do Estado em 1917. . Delles se co~clue que não podemos continuar como vamos. p01s, o Estado nao póde permanecer a arrecadar impostos e com elles p_agar o funccionalismo: outra cousa se requer. Nao ha nenhuma má vontade de nossa parte b . ; em-ao con- trario, trabalha~os e aspiramos todo o bem estar para O Estado e todas as glorias e victorias para o seu illustre e muito digno Governador actual ; mas não podemos deixar de levar com to– da lealdade, até aos ouvidos de S. Ex.a, o sentir geral' das clas– ses conservadoras em que nos alistamos. L. C. 1 '
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