Revista commercial do Pará Janeiro - 1918
12 REVISTA COMMERCIAL DO PARÁ COUROS As condicções excepcionaes do mercado de couros seria para grandes altas nos preços deste artigo ; não fosse o contrôle que sobre o mesmo exercem os governos inglez, francez e italiano. A escassez de mathia prima é geral, elevando-se cada vez mais o preço dos calçados em toda a· parte. Os industriaes já se dizem • em condicções criticas • pela requisição que do artigo fazem em todos os paizes por conta dos respectivos governos, deixando a industria a braços com a carencia de materia prima para satisfazer as necessidades das populações civis. De Marselha já appellaram para o Japão pedindo forneci– mentos de manufacturados e na Inglaterra e nos E. U. A. acti– vamente se trabalha para obter um succedaneo do couro. Appareceram alguns como batata, fabrikoid, weltum, pedite e outros, tendo todos porém, por base principal, - a borracha. Mas, acham elles que este producto se acha ainda a preços elevados para um tal mister, cogitando-se em barateial-o .. . Em Munich acaba de se abrir uma grande exposição de CASTANHAS SEMPRE em baixa os preços, desde Janeiro quando registamos uma média de 207$000 por hectolitro, tivemol-os a 24$ em fevereiro, a 18$ em Março, a 14$ em Abril, melhorando para 17$ em Maio para baixar a 16$700 em Junho e a 13$700 em Julho quando se fizeram as ultimas entradas. Só a falta de transportes póde explicar esse estado de mercado, pois, a sua cotação no exterior foi sempre a melhor possivel. De mais, a fal ta de oleos, actualmente, mais devera estimular o preço deste producto. . Entre nós surgio a industria de oleos que tem aproveitado a nossa castanha de onde se extrahe um lubrificante bellissimo calçados de succedaneos de couro, onde se emprega a lona im– permeavel, a lã, a palha entrelaçada, limoneo, restos de tapetes, papel comprimido, etc. As solas de todos esses calçados são de madeira ou papel comprimido revestido de uma folha de alumínio muito delgada. A nossa exportação ( do Brasil ) para o exterior apresenta desenvolvimento bem apreciavel, elevando-se a 27.510 tons as sahiclas dos primeiros nove mezes deste anno contra 31.442 di– tos em doze mezes de 1914. A exportação do anno de 1916 foi de 46.390 tons, tendo o Pará contribuido nesse anno com 1.261 tons. Os preços em New-York, Liverpool e Havre se teem man– tido sempre firmes, porém, sem altas apreciaveis devido aos mo– tivos acima ditos. . Em nosso mercado pouco se teem elevado de 1.100, attin– gindo por vezes 1.300 e 1.350 réis para o verde salgado e mais 200 réis para o secco salgado." A proposito : porque não exploramos nós essa grande in– dustria, qu,e requer pouco capital, fundando fabricas de calçados e de cortumes para nosso consumo e venda de manufacturados? de sabor agradavel e que se emprega com vantagem na cosinha. A sua porcentagem de oleo é bastante elevada, aproveitan– do-se os residuos para engorda de porcos, va;:cas leiteiras, gal– linhas e outros animaes. Seria para desejar que para ahi volvessem as suas vistas os poderes publlcos, amparando, estimulando, gt:iando a indus– tria nascente que bem pode ser ainda uma grande industria a par da producção de azeite de patauá, e outros oleogen.osos de que nos não temos appercebido até hoje. Os stocks nos mercados consumidores do exterior são nullos. A safra, maior que a do anno p. p. ( 1916 ), foi de menor valor, constando-nos que grandes perdas foram registadas pela demora na exportação. Abaixo offerecemos os nossos quadros de exportação com– parada que melhor elucidará o leitor. Exportação de CASTANHAS pelo porto de Belém nos annos de 1916 e 1917 11 Do -PARÁ MEZES r EUROPA AMERICA 1916 1917 1916 Janeiro 92 105 - fevereiro 8014 28 1094 Março 3819 5490 7007 Abril 21327 6936 9542 Maio - - 15721 Junho 994 - 3170 Julho - - 2428 Agosto - 14 1386 Setembro - 330 39 Outubro - - 18 Novembro 20 - - Dezembro - - - 1 34266 1 12903 40405 TOTAES EXPORTADOS { Anno 1914 ..• ,, 191 5 ... 1917 - 590 5506 3904 22232 61504 40558 36565 2885 1256 498 - 1 175498 li 329934 hect. 143058 ,, Do AMAZONAS TOTAES EUROPA 1916 1917 9539 316 9583 2640 7882 24299 4308 2202 2970 760 198 - 1013 - 503 - 15 - - - - - - - 43011 30217 Anno 1916 .. . ,, 1917 .. . AMERICA EM HECT. 1916 1917 1916 1 1917 5678 25 15309 446 5415 9280 24106 12538 22992 3289 41700 38584 15571 7387 57748 20429 19519 17424 38210 40416 11632 30966 15994 92470 489 20899 3930 61457 530 26495 2419 63074 21 2271 75 5486 - - 18 1256 7 50 20 548 - - 7 - 81854 118086 199536 336704 199536 hect. e mais 60170 ouriços 336704 ,,
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