Revista commercial do Pará Janeiro - 1918
BELÉM, 1.o DE JANEIRO DE 1918 Rev s omme cial do Pará Da CASA BANCARIA de MOREIRA, GOMES & Ca. Rua 15 de Novembro N. 7 li Endereço telgr.: MA TTA Caixa no Correio N. 22 Codigos { Lieb_er, ABC, 4.• .& 5.• ed., Ribeiro . Particulares, Two-m-one ( Condensador ) li BELÉM- PARÁ- BRASIL ANNO Ili SOB A DIRECÇÃO DE LUIZ CO.RDEIRO NUMERO 5 A "REVISTA" COMO !odas. a~ cousas, nasce~os pequeninos _e adstricto~ a um circo hm1tado de acção; 1mpoz-nos o meio o gradahvo augmento de paginas ; e taes os favores que nos cumularam, que não mais pode esta Revista deixar de occupar um Jogar, modesto embora, que é seu por direito de conquista. Não po– demos porisso nos furtar ao dever de abranger assumptos de interesse geral que alcancem o paiz inteiro. Visitados pelo snr. RAMALHO ORTIGÃO logo após o advento da Republica, notou esse escriptor que o regímen servil pertur– bava e corrompia as nossas mais altas noções do dever e res– ponsabilidade, affectando a nossa dignidade, abastardando o ira– balho, aviltando a obediencia, deshonrando a disciplina, dilace– rando os princípios fundamentaes de toda ordem social, creando o parasitismo social. É passivei que 25 annos de novo regimen tenham algo mo– dificado, mas é certo que ainda guardamos traços bem accen– tuados desses nossos antigos defeitos de origem e heredi– tariedade. Ne_ste momento angustioso para a nossa Patria sobresahem alguns delles, patenteando-se palpavelmente aos olhos do obser– vador imparcial que muito nos falta fazer para corrigil-os, para extinguil-os. Não temos em mira apontai-os nem pol-os em destaque, mas é mister que nos conheçamos todos, de Norte a Sul, para manter illesa a integridade da Patria, mesmo porque não se pode dirigir bem o que se não conhece. É indispensavel ligar por élos de uma só corrente nem só os Estados entre si, mas !ºd~s os Municípios, cidades e villas para, em aceção conjuncta i~dicar-se medidas que interessam ao paiz inteiro. É um ser– viço completo de organisação de vida e trabalho em conjuncto que se impõe como a maior das nossas necessidades. Depois, um serviço de perfeito inventario das nossas forças organicas, onde cada "Um diga de si quanto vale, quanto produz, quanto _gasta, qual o seu estado sanitario, de que provem as suas ren- . das, qual as suas industrias e lavoura, os seus meios de com– municação, as suas necessidades o coeficiente de sua natali– dad_e e mortalidade, da sua instr~cção publica e das suas aspí· raçoes. _Tudo isso _feito poderiam então os governos combinar a ~ua acçao ~ um dta dizer que temos um Estado, um Município ou um patz gov~rna~os. E a occasião é propicia e unica para isso. Entre nos nao se pode dizer que nos tem faltado boas in· tenções e dinheiro. , S e dissermos que a Amazonia continua despovoada, não ha· vera quem conteste. Entretanto milhares d e contos nos lern cu st ado uma bo_a duzia de tentativas de colonisação, contan– do-se por centenas de milhares os contos de réis que por ahi se escoaram. E atravez de mais de seculo dessas tentativas desordena· das, não conseguimos ainda transpor os nossos sertões nem fi· xar nelles a colonisação. Trafegando esses vastos rios pelas mesmas vias, sem hori· sontes abertos á vista do viandante, abobadadas por densas flo– restas impenetraveis, constituimol-as uma compressão perenne ao coração do homem que, não expandindo as idéas, se torna casmurro e nostalgico sempre que vê desapparecer na curva do paraná o gaiola que alli o deixa para só voltar muitos mezes depois. De braços abertos voltamo-nos para o Sul e supplices pe– dimos o élo ou traço de união que abra novos horisontes pelo Araguay e Tocantins, pelo Xingú e Tapajós levando-nos, por Ooyaz e Matto-Orosso ao seio da civilisação que se prodiga– lisa para o Sul ... Debalde esperamos que a colonisação por ahi se derrame até nós, como debalde esperam os Municípios do interior que Belém até alli chegue . . . Temos que mudar de vida porque a industria extractiva tende a perecer. A castanha que já em 1881 era exportad,a em quantidade igual a 71.114 hectolitros, depois de ter attingido a 115.264 hect. em 1899, baixou a 64.443 ditos em 1915. O cacau que orçava por uns 5.000.000 ks. e picos em 1881, at– tingio a 6.906.000 ks. em 1888, baixando a 1.419.000 ditos em 1906 e a 1.112 .000 em 1912; e apesar de ter se elevado a 2.986 .000 ks. em 1915, não mais attingio aos 7 milhões de pro– ducção de 1888. A producção de borracha é o que todos sabem e sem uma rede ferro-viaria que se interne pelos sertões e que abra novos horisontes, baldados serão todos os esforços dos que ora se debatem nestes confins - do Brasil abandonado pela Metropole. Temos uma divida, pela qual responde toda a União, que reduzida a papel com o cambio de 12d se escreve com Rs. 4.899.336: 810 $ 000 e se dissessemos que tudo isso se gastou com o Sul, talvez.. nos viessem a contestar . . . Mas, trata-se nesta occasião de unificar forças de uma unica Patria que se precisa unir · e reunir, corrigindo defeitos e faltas que anteriormente foram commettidas, e de certo se– remos lembrados no concurso que de todos se requer e até nós ha de chegar a acção do Governo Central que anciosos até agora esperamos ..• BOLSA do PARA' S UPPRIMIMOS os quadros que inserimos em numero anterior desta Revista para os formular annualmente quando melhor se poderá aquillatar do trabalho de cada uma das nossas institui– ções de Credito. Resolvemos porisso publicar os pareceres dos Conselhos fiscaes, das Companhias de Seguros e Bancos desta pra~ , que constituem O melhor resumo dos balanços por elles examinados, no t.o Semestre de 1917. COMP. de SEOUROS AMAZONIA Verificaram a receita total no 1. 0 semestre de 1917 de \(s 330.135 que applicaram: 45 contos em rezervas, 50 contos t"' 5 O/o de dividendos, 39.901$ em despezas geraes, 39.800$ em "-
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