Revista commercial do Pará Dezembro - 1919

31 DE DEZEMBRO DE 1919 27 É o jogo com todos os ,seus attractivos, decepções e peri– gos, correndo o capital o risco de desapparecer a cada momento. No quadro abaixo se vê que as finanças federaes são aqui o espelho ças rendas da Alfandega que reflectem no valor da exportação oscillante com o cambio : Annos Renda da Alfandega Valor exportado borracha 1836 a 41 3.607 contos I861 a 66 12.461 « J 5.872 1866 a 71 17.955 « 30.882 1876 3.361 e 8.836 1882 10.384 e 17.858 1883-84 10.520 • 13.912 1891 10.377 « 21.420 1898 24,791 e 76.580 1899-900 33.966 e 84.384 1907-8 32.550 • 35.510 1909-10 32.312 • 80.001 1913-14 22.486 e 23.539 Nem sempre coincide a maior renda da Alfandega, com o maior valor da exportação, porque, o maior valor dessa ex– portação requer sempre maior importação e essa aggrava-se e cria as crises commerciaes, que antecedem as crises da Alfan– dega, sempre depois das crises do Estado. É uni mal a borracha ? Não. O mal se encontra na fór– ma commercial que adoptamos, a qual nos adaptamos, onde impéra o lesser faire dos poderes do Estado, sem a mínima or– ganisação economica, sob um methodo que repousa no imprevisto. Se considerarmos que o nosso cambio em 1808 era de 70 a 74d; que em 1829 era· de 28 ½ a 34d; tendo sido de 22 a 28d ainda em 1829 e de 20 112 a 29d em 1831; baixando a 14d em 1868, para subir de 24 a 28d em 1889, já tendo estado a 5 5 /s no novo regimem, se verá que as oscillações extremas, nos tem conduzido, por vezes, de nababos a mendigos. Se juntassemos as rendas do Estado do Pará a de mais de 800.000 contos que daqui tem sido retirados pela Metropole e as que têm sido prodigalisadas ao Municipio de Belem, veríamos que mais 1.500.000 contos ( Rs. l.500.000.000$000) foram arreca– dados de impostos desta California para o erario publico, na sua maior parte provenientes desta malsinada industria extractiva que ainda está a espera do primeiro auxilio que se lhe possa prestar. Uma parte dessa somma, se tivesse sido empregada em des– envolvimento da viação interna, na agricultura, na pecua– ria, teria mudado a face da situação em que infelizmente nos achamos e que é igual a de 28 annos atraz e da qual só sahire– mos se buscarmos novos rumos. Em 1919 já o secretario da fazenda dizia que a situação economica do Estado era mui precaria; o seu progresso era mais apparente que real; que a praça vivia do credito que lhe dava a borracha, e que conforme a oscillação dos preços deste genero, augmentava ou diminuía esse credito ; que o commer– cio repousava em base movediça « bloqueiado ao menor sopro de uma crise, acobardado e indefezo, com a passividade de vi– ctima • ... E nada se fez até hoje para modificar esse estado de cou– sas que cada vez mais se aggrava. Esse mesmo documento confessava lealmente que a • pro– ducção agrícola era mesquinha e que o Estado importava tudo dos outros Estados do pa.iz e do exterior, até os generos ali– menticios mais necessarios • . . : E o que se fez até hoje para melhorar essa situação? Por parte dos poderes publicas, pelo menos que nos conste, -nada. A industria agrícola e pecuaria não recebeu até hoje o mi– nimo auxilio do Estado, que não dá um passo para melhorar a sua situção economica-financeira. A borracha chegou a concorrer com 97 O/o da receita do Es– tado e até hoje essa fonte de receita, do erario publico, não me– receu o mínimo auxilio. Sobrecarregado este com uma despeza excessiva, não se pensa em reduzil-a e nem se quer que nisso se fale.. . Com um orçamento desequillibrado ácerca de uma década, accumula-se decijit sobre deficit sem uma resolução firme de en– veredar por novos caminhos. Abaixo publicamos os quadros habituaes, onde em synthese se antevê o desmoronar por um caminho escabroso de ondê se não quer retroceder. E' mister parar; adaptarmo-nos ao novo estado de cousas e mudar de orientação, antes que o credor venha nos despertar deste lazer, com as duras pancadas do meirinho á porta .. . Mesmo recorrendo ao fiador que é a União, é vergonhoso para nós termos esbanjado tanta riqueza e não termos a cora– gem precisa para nos conformarmos com a nossa situação de pobres que somos, dispondo-nos a trabalhar e a conquistar o la– gar perdido pela nossa imprevide'ncia, ( e porque não diser ? ) e inepcia ! RECEITA e DESPEZA do ESTADO do PARA 1913 1914 1915 1916 1917 1918 1919 (llm,m) Receita 9.u9 8.188 9.303 lI.224 11.409 13.080 9.437 Despeza 13.452 13· 193 L2.150 12.346 13.476 14.743 11.147 D eficits 4.333 5.005 2.847 1.140 2.067 1.663 1.710 . Total. 18.765 contos de deficits. RECEITA DISCRIMINADA e COMPARADA (ratificada) 19'3 1914 1915 1916 1917 1918 1919 (11 mezes) Exportação 5595 4430 4990 6142 4766 2707 4121 E. F. de Bragança 731 585 965 1223 1378 1409 1238 Aguas 644 637 627 636 752 748 534 Curro 646 655 765 764 728 54 Trans. Propriedade 606 266 337 337 401 838 422 Iud. e Profissão 648 776 529 482 408 719 320 Sellos 210 174 449 190 189 262 240 Eventaues 207 210 242 138 6r 193 158 Divida Activa 38 65 141 219 106 - 50 169 Appl. especial 39r 338 594 896 860 957 678 Diversos 49 61 74 206 1724 4469 1503 9u9 8188 93o3 Il224 IJ409 13080 9437 OAZOLINA e CARBURETO DEPOSITO Moreira, Gomes & Comp. A entregar e,n terra ou no mar -- Unices agentes no Estado do Pará da "MOTOGODlL!-E"- DEPOSITO PERMANENTE 1 •

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