Revista commercial do Pará Dezembro - 1919

1 31 DE DEZEMBRO DE 1919 3 trata de abarrotai-a de borracha e de outros productos qu e_lhe sobram, dando-lhe prazos para pagamento, franqueando-lhe o giro em seus Bancos que, em fórma de trust, hoj e se movem como hontem se moviam seus grandes exercitas. E nós nem siquer ensaiamos essas fôrças; permanecemos impassíveis ante esses grandes problemas e vamos gastando o tempo, que é dinheiro, em futilid ades. Ahi está· graphada, quasi diariamente, a nossa fraca opinião _adversa ás emissões de papel moeda inconversível para cobrir deficits de orçamentos desorganisados, feitos pelo Thesouro, sem– pre que os seus cofres seccam. Mas, quem poderá condemnar a emissão como conta de compensação, mesmo feita pelo Thesouro, para a aquisição des– ses productos a serem vendidos contra cambiaes a serem cre– ditados como ouro, que representam, a serem creditados em conta do Governo sob deposito e á s/o, em Bancos de repu– tado credito, representando lastro para o papel que aqui ficou em circulação ? E esse deposito f~ito a,qui ou feito lá, será como se esti– vesse em mãos do governo, e quando mesmo não podesse cêdo ser para aqui enviado, nenhum transtorno poderia causar-nos, uma vez que aqui até passa a ser um trambôlho ou, pelo menos, um motivo de despezas com o pessoal que o ha de guardar. Deixar. que o cambio livremente suba por effeito desse au– gmento de offerta de cambiaes, passando o ouro para mãos outras, é um crime de lesa-patria e o aniquilatnento da producção, das forças prodµctiv as do paiz. E aqui tem lagar o caso da borracha que, depois de ter matado esta região, que ella mesmo creou, quer agora enterrai-a, por se achar ao desamparo e desprovida de toda sorte de de– fesa que aos poderes publicas competia escudar. E heroicamente morremos como carneiros, sem um grito de dôr ou desespero, porque vivemos de espera nças ·e esta é bas– tante para nos confortar e a ella nos abraçamos como á Santa Cruz, jurando ao nosso Credo que morreremos saudando Cesar: Ave Cesar ! ... «morituri te salutant • ! ! • • Vamos «esperando •, e esperando sempre. Esperando o que ? Ninguem nos saberia dizer, porque, só contamos com dois elementos - o governo e o imprevisto. Se nos perguntassem de chôfre o que precisamos para a salvação da nossa angustiosa situação, ficarí amos embaraçados para responder, porque, é isso a unica cousa de que se não co– gita ainda. Só nos lembramos, vagamente, que algo se precisa fazer, quando o mal se aggrava. E se esse mal perdu ra, adaptamo-nos ao novo estado de cousas, suspi rando sempre pelo estado pou– co melhor que acabamos de perder. f alou-se em valorisação de borracha a 10 quando baixou de 12 e 14 para 8$ reis. Contentamo-nos, mais tarde, com a va– lorisação a 6$. Pedimos depois um amparo para 5$. ficamos satisfeitos com 4$ e hoje appelamos para 3$600 como medid a salvadora! Se não podiamc-s viver senão com borracha a tOS, como hoje achar;nos optimo 3$600 ? Qual o criterio, o calculo, a previsão, a base para julgarmos do valor do producto, do custo remunerador do nível do equi– librio para o commercio desse nosso princípal gener~ de pro• ducção? Nada se faz sem estudo prévio, sem um plano, um projecto, um programma a ser traçado e executado por surtos continua– dos de esforço, e de perseverança, num crescendo de medidas correlatas successivas, buscando um fim, uma conclusão, um desfecho préviamente antevisto. Mesmo que o fracasso venha de futuro a coroar este esfôrço, fica esse insuccesso como urna ficção aproveitavel pela sabia lei da experiencia que, infelizmente, caro nos custa, mas, é sempre pro veitosa. Mas, entre nós é quasi impossível esse esfô rço pela des– união e menoscabo dos interessados pelos seus proprios inte– r~sses. Se uma empresa se estabelece e os capitaes são para ella obtidos por acções, raramente mais de um ahi trabalha e nin– guem mais quer saber se é accionista ou interessado em tal ins– tituição, a ponto de se fazeram as reuniões de assembléa ge– r~t ordinaria para prestação de contas sómente com as directo– rias que difficilmente conseguem um certo numero de assigna– htras nos livros de actas que são enviados de casa em casa aos a1:cionistas para firmarem as suas assignaturas ... de cruz. O indifferentismo de todos e por tudo acaba aniquilando qualquer iniciativa e o comprimento de deveres passou a ser hoje uma cousa a que ninguem se quer submetter. Demais, impéra o horror á responsabilidade e, se a assu- 111em, é inconscientemente, indifferentemente, sem pensamento de por isso se obrigarem ao menor compromisso. Continua, por tal, insoluvel o problema da borracha de que tc,dos fal am e escrevem por falar e escreve r . .. Entretanto todos sabem que perdemos o predomínio do mer– c~do desse producto ; que não mais ditaremos condições para a sua venda, nem marcaremos, jámais, os seus p reços, restan– do-nos apparelharmo-nos a acceitar os preços que por elle qui– zerem paga r os mercados consumidores, determinados pelo maior productor que se habilitou a acceitar quanto ao consumo poder por elle pagar. Collocarmo-nos ness e mesmo pl ano seria ' a resolução do X. E que se deve para isso fazer? Eis o problema que se rfs ume como segue : Bareteiar o valor da producção; minorar as suas despezas de fa brico; augmentar a quantid ade das colheitas para supprir e 111 qua ntid ade, quanto nos fa lta em valor; habilita r o producto; a a cceitar a concorrenci a ga nh ando, pelo menos, o producto do seu trabalho. Cabe ahi um conjuncto de med idas q ue nos attrahe para uma acção commum d e todos os inter~ssad?s ; desde o s gover– nos e o commercio, até o humilde senng uetro. Discriminando a acção de cada um, teremos : aos governos de todos os Estados interessados e ao fede– ral compete, organisar o credito; regulame ntar desd e o cultivo da hévea até a sua ex portação e entrega nos mercados consu– midores, determinando como tudo isso d eve ser feito com pro– veito ; creando o nosso standard, como a Inglaterra fez para 0 seu algodão. Ainda aos governos cumpre: . a ) provide nciar sobre o ensino pratico, de maneira pratica, do pl an tio intensivo, creando escolas e campos de demons- trações; . . b) funda r hospitaes e regulam~ntar a ~mm1graç~o com as- site ncia ao trabalhador que se queira locahsar, sob mstrucçõ es e constituição de lotes agrícolas devida~1en~e dema_rcados e com os favo res que se prodigalisam aos 1mm1grantes estrangeiros qu e, depois de uma estadia nas estações d': recep~ão em portos de desembarque, Iocalisam-se no sul do pa1z ;_ e ) construcção de linhas férreas economicas '.1os _altos rios, e estradas de rodagem para o centro, em commumcaçao com as margens dos rios onde possam as colheitas_ser embarca~; d) barateiamento dos fretes, ~or me•~ de subvenções ou linhas de navegação fluvial subvencionadas• . e) desobstrucções dos rios até fornecerem hvre navegação em todo o anno, com barragens º nd e faltar agua, para que esta nunca falte. . . Ao commercio compete, por inic_1ahva s~a, congregar-se em uma ou mais associações de preferencia e~ forma de_cooperativa; organisar Bancos e empresas de navegaçao para maior facilidade de credito e communicação; fundar empresas fabris de artefactos

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