Revista commercial do Pará Dezembro - 1919
31 DE DEZEMBRO DE 1919 17 COUROS NÃO desfall eceu ainda a animação no mercado de couros e os preços a qu e attingiram os seus manufacturados bem demon– stra que perdurará ainda por algum tempo a firmeza dos preços desse producto. Já dissemos em numero anterior dos motivos . dessa alta que perdura ainda, e até que as fabricas consigam refazer os seus Stocks, não é cedo que teremos preços baixos para couros. Demais, os preços dos calçados leem estimulado o estabeleci– mento de fabricas e o desenvolvimento das que existiam, tor– nando a procura de materia prima cada vez mais intensa, mes– mo dentro do paiz. A exportação de carnes tende a decrescer; já está mesmo decrescendo por exigencias de consumo inter~o dos paizes pro– ductores, ao mesmo passo que os mercados consumidores não se acham em estado de se abastecer. Ora, se não se pode ti– rar os couros sem abater as rezes, claro que diminuindo a ma– tança diminuirá a exportação de couros. E se a falta do pro– ducto, que se procura comprar, o cnéarece, não se precisa ser pro– pheta para antever a continuação dos altos preços para os couros. Abaixo offerecemos a summula da nossa exportação em 1919. ( cm k ilos ) Boi Veado Janeiro 122.273 40.504 Fevereiro - 141.593 ' Março. 68.038 16.194 Abdl 7.592 IO.UOO Maio 379.803 12.080 Junho. 24.362 3 27 Julho. 257.277 16.277 Agostcf 75.481 16.300 Setembro 198.954 4. 194 Outubro . 9.625 10.465 Novembro 121.046 7.519 Dezembro 60.395 7.326 1.419.439 141. 186 que representam cerca de 4.000 contos, sem fretes nem direitos. E. F. Norte do Brasil LJ MA série de medidas que se completam entre si, acaba de ser levada ao senado brasileiro pelo snr. dr. Justo Cher– mont, prestimoso repres enta nte d'es te EstadÓ na alta Camara do Paiz. A colonisação do Oya pock e a sua nacionalisação; a mu- · dança da Capital da Republica pa ra o g rande planalto de Ooyaz e a encampação da Estrada de ferro de Alcobaça, são, cada qual da mais tran scendental importa ncia para o Norte e para o paiz em geral. Já das columnas desta Revista demos o g rito de alarme contra o esbanjamento das nossas riqu ezas sob absolu to des– caso dos nossos governos e proveito dos estrangeiros que as estão explorando. · Então respigamos de jornaes G uayanezes qu e dos quadros da exportação da G uyana f ranceza co nstava que no periodo de 1916 a 191 7 fôram exportados 43.000 k. de ouro no valor de 117.000.000 de francos e que só no começo do anno até Março de 1917, essa exportação subira a 2.755 kilos -no va lor de 5.454.000 francos. Apontamos ainda para 31.044 k. de essencias e 16.680 k. de páu rosa dalli sahidos nesse anno, lembrando que depois de liquidada a q~estão do Amapá, não mais se falou aqui, nem em parte .alguma do paiz, do ouro dessa região, não tendo mesmo appa- recido no quadro da nossa exportação urna gramma, siquer, desse precioso metal. . foram as nossas palavras acolhidas benevolamente pelo O Paiz, d'onde olh os carinhosos por vezes se volvem para este rincão. Não se fez esperar o écho dos ligeiros commentarios que penna amiga bordou em torno das nossas palavras, entre os grandes matutinos da Capital da Republica. Só assim pôde um dia chegar es~a noticia ao conhecimento do Governo Central do paiz, :pelo seu mais alto. orgão no po– der legislativo. · Mas, "temi casse, tout lasse, tont passe . .. " e o legisla– tivo naturalmente repetio de si para si: Je peux me passer de !ui ... Lembrou-se agora o dr. Justo de dizer-lhe : "Mets la main en ton sein, et ton ne mediras pás du prochain" e lembrando– se .que " um barbier rase l'autre", empurra de uma vez os trez capit11los acima citados, completando-os com a mudança da ca– pital do paiz para Goyaz, accenando com grandes favores aos capitalistas que a queiram construir, demonstrando que para isso basta a iniciativa governamental num momento propicio como este que os No1ie America nos s~ acham a procura de emprego para os seus biliões. A colonisação do Oyapock e a posse desses thesouros num momento em que degladia-se o mundo inteiro por questões territoriaes e augmento de riquezas e poderio, é a maior das necessidades do paiz. Mas, para isso é preciso integralisar num só corpo este mesmo paiz e não se poderia melhor fazer tal cousa sem irra– diar as vias de communicação como numa espiral, para o que se precisa buscar o centro, que é Ooyaz. Dahi todas as distancias se tornam relativamente pequenas, convergindo para um ponto unico todas as forças da nação. A encampação da E. f. do Norte do Brasil e prosegui– mento dessa linha férrea até a futura Capital Federal, seria pôr– nos em contacto directo com o Governo Central, fazendo pal– pitar com a suprema direcção do paiz os nossos communs in– teresses até hoje rn enoscabados; descurados, esquecidos, por essa f ederação a que accidentalmente estamos filiados ... Medidas de tão g rand e alcance nem só ao Norte appro– veitariam. Directamente ahi se acharão interessados Matto Grosso e Goyaz, Maranhão, Pi auhy, Ceará, Pernambu~o e Bahia , S. Paulo, Min as e O Govern o Central, que em con1uncto será o mais interessado pelos proventos a advir ao paiz. Julgamos porisso não ser bastante quanto se disse justifi– cando esses projectos. Seria mister apontar a cada um desses Estados quanto isso approveita aos seus vitaes interesses, buscando _o apoio das respectivas bancadas que com o dr. Justo deveriam votar sem restricção. Estrategicamente, fin ancei ran:ien~e, ec~n~micamente, essas medidas merecem o nosso apoio 111cond1cc1onal, e se mister fosse demonstrar e justificar o porque desse apoio, não trepi– dariamos em afirmar qu<! sobre tod~s os outros motivos temos 0 de sa lvação deste paiz que se esta esphacelando _por falta de ·ct de de vistas pelo descaso por tudo qua nto e nosso, que 11111 a • · t · vive ao abandono sem mesmo um mven uan o que p~d_esse apontar O que possuimos e onde começa o nosso donm 110 e onde elle se acaba. Como unica classificação para essa vasta região de 2/3 do B .1 hama de • terras desconhecidas •, " terras inexplo- ras1, se e d , . zonas despovoadas •, que se po era resum ir com raaas • , ou • 1 .1. - 0 de· Euclydes da Cunha: ~Terras abandonadas ~ a c asst 1caça • • •· E abandonadas porque? Porque não prestam ? • • · . . Não ; porque não s~o ~o_Sul; porque f~cam longe; porque dellas não precisa o pa1z stnao para usufruir os proventos que
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