Revista commercial do Pará Dezembro - 1919
12 REVISTA COMMERCIAL DO PARÁ ECONOMIA RURAL Original para a Revista Commercial 11 UMA das molas mais preciosas, e que é sobremaneira podero- sissima na estimulação da lavoura e da cri ação, é o ensino agricola; - porque o seu resultado natural é precisamente tor– nar conhecidos os meios technicos de produzir mai s, melhor e mais barato. ( 1 ) Sem educa r o trabalhador rural impossivel ou defeituosa se torna a evolução nos processos de agriculturar. E o proprieta– rio bem instruído, prenhe de bôas lições a cerca da agricultura, criteriosa e progressista, nada poderá emprehender no seu do– minio se não tem a auxiliá-lo operarias peritos, de trabalho pro– ductivo: o nosso trabalhador ru ra l é escasso, caro e ruim ; ra– zão por que da vida em fazenda ne nhum proveito lhe advem, nenhum bem-estar pode nella. encontrar, e então em igra para os centros populosos, onde, apenas sabendo lêr e possuindo mus– culos desenvolvidos, poderá ganhar fo lgadamente o pão para o seu sustento, a roupa para a protecção do seu corpo e emfim a diversão ( quasi sempre pervertedora) que o deleita e lh e ou– torga uma ficção da felicidade almejada. O Pará, a Amazonia, o Brasil inteiro está a espera do seu Tisserand, - embora a figura syu1pathica e valorosa do emine nte reformador francez já por vezes se tenha encarnado na pessoa, de Cincinato Braga - • estrella de raro esplendor engastada na escuridão do nosso parlamento •, sem comtudo lograr outro ef– feito mais duradouro que o applauso platonico de uma dezena de estudiosos politicamente desacaimados. Emquanto S. Paulo, ampara 0 11do a idea de um dos mais il– lustres de seus filhos, 'llantem a peso de verbas colossaes • a unica instituição de ensino agrícola digna deste titu lo, criada em todo o paiz • ( 2 ) nós, menos previdentes e menos Zt'losos, nos temos perdido na resclução de outros problemas apparen– temente mais importantes, e legamos para um plano secundaria, e mesmo para o rol das coisas inuteis, o estudo das nossas questões agrícolas, principalmente sob o aspecto educativo -- para o qual José Bonifacio, ha um seculo exaclamente, pedia as gra– ças do nosso primeiro rei, batendo-se já naquella epocha pela fundação de uma Academia de Agricultnr'a no Rio de Janeiro. Assim agindo, de nenhum modo nos preparamos para a transi– ção fatal, que ora vemos. da inrlustria extractiva para a industria agrícola - phenomeno naturalíssimo em todos as regiões ·de ex– ploração recente, onde o homem primeiramente desbrava para depois agriculturar. O ensino agricola só poderá dar porem, resultados ampla- ( 1 ) Dr. Wenceslau Escalante. --Discurso no J. S. de Agronomia em Buenos– Ayres. - - 1904. ( ;) Dr. Oomt!I Carmo. -- Confere11cia na S. N. de Agricul(ura. - - Setembro de 1919. mente satisfatorios se ferido no seu triplice ponto de vista: ensino vocacional, ensino pratico e ensino theorico pratico. O ensino vocacional, que será ministrado sobretudo nas escolas ruraes terá como fito prender o iilho do interior á terra e á profissão de seus maio res. A emigração accentuada, que nos nossos campos se nota, é primordialmente causada pela in strucção pedantesca ( falha e aerea ) que crianças campesinas recebem, e que por natureza as torna futuramente incapazes, inaptas para a vida do interior e as força por isto a buscar nas cidades um trabalho mais consentaneo com o seu saber. Por meio de aprendizados ag rícolas bem installados e pro– ficientemente dirigidos por gente talhada para isto, e mais ainda - bem amparados, facil será a formação de trabalhadores agrí– colas, de capatazes- á falta dos quaes amargamente se resen– tem tod as as nossas fazendas, todos os nossos sitios, todas as nossas propriedades ruraes onde qualquer orientação feliz, acer– tada e promissora nehuma efficiencia terá sem a sua engrenagem imprescindivel, formada por aquelles. E não me exemplifiquem que tal instituição é defeituosa, nulla em seus effeitos: o que temos experimentado em todas ess,as cousas está longe de ser a realidade dellas - fingimos, poetâmos . . . nada mais. Completândo este ultimo factor, citaremos o mais importante talvez, aq uelle que mais fortemente influenciará sobre todo o surto progressista, por isso que é representado pelo agronomo. Com uma base theorica precisame nte desenvolvida e com uma pra– tica necessaria ao seu multiplo mister de pesquizador, de edu– cador, de administrador rural - elle tem sobre si a alta resp on– sabilidade de orientádor e juiz nas questões agricolas; sem elle falhará todo esforço ( e é por isto que o dasanimo se tem alas– trado na classe agrícola - pela imperfe ição de sua educação e maximé pela falsa doutrina dos charlatães fili streiros ). Os d0is factores necessitam porem de serem postos um ao lado do outro para que, auxiliando-se mutuaufen te, possam ef– fectivar o qu e verdadeiramente delles se espera; pois • é fazer p,·ova de insensatez querer dar solu ção aos complexos proble– mas da agricultura sem o coucurso de ambos estes elementos, tal qual pretender um corpo sem braços, ou ... sem cabeça, si fosse possível, •consiga a efficiencia que do reciproco auxilio desses orgãos, somente, poderia advir •· Assim obrando tendo-se realmente feita a criação triplice do ensino vocacional, 1 pratico e theoric~-pratico- poderemos então quasi affirmar que o nosso homem rural não mais buscará fóra do seu do111inio, nos centros de vida intensa, o trabalho para ganhar o pão e a camisa, e nem tão pou co o homem da cidade, incli– nado á vida dos campos, suffocará sua proveitosa vocação, dei– xando-se ficar na semsaboria pouco conforlante da vida buro– cratica. façamos as vocações e aproveitemo-las conscienciosamente sem disperdiçal-as jamais. A frança reeducando para a lavoura os mutilados da guerra dá para o mundo um exemp lo fecunpo. Resta-nos a nós apro– veitar o nosso caboclo ensinando-l he a labutar no campo com mais intelli gencia e com mais proveito. O. D. Carneiro. J J GUEDES D 7-'l: cosT~ TEMSi~v:z~E~:itt:::t~~~:::itAL • • r• r• Usa os Codigos A. B. C. 5., edc., Liebtr's, Ribeiro e Particular. CORRETOR OERAL e AGENTE de LEILÕES fundos Publicos, Mercadorias e Navios CAIXA no CORREIO, 117 TELEORAMMA : "GUEDES" TELEPHONE, 4()2 l:scriptorio: Trav. Campos Salles, 2 - Ptl~ll', Belém ( Brasil) • 1 ...
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