Revista commercial do Pará Dezembro - 1919

BELÉM, 31 de DEZEMRBO de 1919 Revista Commercial do Pará Da Casa BANCARIA de MOREIRA, GOMES & Ca. RUA 15 de NOVEMBRO, 7 11 Endereço telgr.: MATTA Caixa no Correio N. 22 Codigos { Lieb_er, ABC, 4.• !l<, s.• ed., Ribeiro 11 BEL E' M - PARÁ- BRASIL Particulares, Two-in-one ( Condens,dor) ANNO VI li Sob a direcção de LUIZ CORDEIRO li NUMERO 9 A "REVISTA" TEMOS vivido até hoje de esperanças. Antes da guerra, sob o sopro tremendo de crises successivas, aspiravam todos a bonança que sobrevem á tempestade, quando começou a guerra. O c~mbio tremeu nos alicerces que lhe haviam feito com a fixação da taxa pela C3.ixa de Conversão e de 16d cahio a 10 e tantos, elevando um pouco o -custo, em reis papel, do kilo de borracha, base de toda a nossa vida economica. Mas, a esperança de que pe rduras3em 03 preços nos mer– cados consumidores se esvahio como um sonho, porque a en– trada alli, desse nosso principal producto, foi logo considerado contrabando de guerra e o contrôle cahio-lhe em cima como uma herculea clava. Seguio-se a restricção da exportação, a quasi ausencia de navegação. Mas, esperavamos; esperavamos que a guerra acabasse e que a Providencia Divina por nós se manifestasse ... Acabou a guerra. A borracha, em vez de subir de preço baixou no exterior, e o augmento da exportação geral do paiz, com a restricção da importação, elevou o cambio e reduzio a nada o valor papel do nosso producto vital. Continuamos ainda a viver de • esperanças •, esperando que o imprevisto surgisse inesperadamente em nosso auxilio. Entretanto as condições economicas da Europa são de or– dem a prever-se um esgotamento ainda por muito tempo, exi– gindo auxilio de productos alimentícios e de materias primas em quantidade avultada, e nós somos o maior reservatorio de uma e outra cousa. Somos uma nação nova, em plena actividade, sob a febre de producção, apta a levar áquelle mercado tudo quanto lhe falta. Havia anteriormente a supposição de que para isso nos fal– tariam capitaes. Mas, a guerra deslocou, em grandes massas, os capitaes para a America do Norte e teve a propriedade de nos revelar· como povo, como uma nação de recursos infindos, aos olhos dos qu e nos não queriam vêr como tal. BOLSA' do PARÁ Não se tem reflectido na nossa Bolsa, que, como em nu– mero anterior tivemos occasião de dizer, quasi desappareceu, o grande movimento que se tem accentuado no sul do paiz. Nem mesmo a alta registada nas apoiices federaes se deu na nossa praça, pois, emquanto no Rio esses titulos atting;am ao par, não deram entre nós mais de 930$ para as uniformisadas. A falta de numerario que de tão grande fórma entre nós se sentio, até forçou a baixa de preço de alguns títulos, pois, as acções dos Bancos e Companhias de seguros; com poucas excepções, declinaram, em geral, como se vê abaixo compa– rados os mezes de Julho com Setembro : Creou-se, dessa forma, um novo concorrente mundial na of– ferta de capitaes; estimulou-se a rivalidade entre os grandes con– quistadores de mercados, e todos sabem hoje que o nosso não é despresivel, ao contrario, é valioso e está quasi virgem. O dinheiro que outr'ora iamos alli mendigar, passa a nos ser offerecido e parece não sabermos como delle fazer uso. É que os paizes ricos, se sabe tambem hoje, não são os que possuem ouro, mas, aquelles que· teem viveres e materias primas para vender. O nosso interesse está em desenvolver essa producção, em explorar esses mananciaes de riqueza, e nós continuamos a só ter olhos para a borracha. A occasião é opportuna e excepcional. Mas, depende de organisação, e nós somos uns desorgani– sados in totum. Requer-se organisação do credito; da viação ; da navegação interna e externa; do ensino technico; da educação commercial; da organisação política e economica; da organisação diplomatica, por meio de consulados commerciaes com homens affeitos ao commercio, aos negocios, ás tricas bancarias e de bolsa. E nada · disso ternos, nem se cogita em organisar. De todo o orbe chovem sobre nós propostas de compras de mil e um productos ; offerta de garantia de credito ; sugges– tõcs, insinuações, quasi ameaças para nos tirar do torpôr em que nos achamos; e nada disso modifica o nosso antigo viver. Se não nos podem enviar o ouro neste momento, o que nos impede de armazenarmos o seu valor, -em tróca de creditos que nos offerecem, nas arcas da Europa e dos E. U. A., se esse va– lor é intrínseco e obrigará a pletóra desse ouro para cá no dia em que a necessidade dos compradores dos nossos productos impuzer-lhes a remessa delle para este lado do continente? Estamos numa phase de comprar e vender tudo a credito. A Argentina, a Escandinavia, a Hespanha, os Estados Uni– dos, a Hollanda, o Japão, todos os que teem alguma cousa a vender, delle se soccorrem e abrem creditos a quem o tem, em sommas vultuosas. A propria Inglaterra, depois de abrir credito á frança e á ltalia, já , o fez para a sua inimiga de hontem, a Allemanha, e Banco do Pará « Commercial « de Credito Seg. Commercial « Amazonia « Lloyd • Paraense • Alliança « Brazil Seg. Ultimas vendas Julho Setmb. 45$ 40$ 90$ 85$ 30$ 30$ 80$ 80$ 351, 301, 251, 21$ 35$ 25$ 40$ 43$ 22$500 21$ COM PRADORES Julho Sclmb. 45$ 40 90$ 85$ 30$ 31$ 75$ 751, 30$ 31$ :zo$ 20$ 201, 20$ 40$ 45$ 21$ 20$ VENDEDORES Julho Setmb. 50$ 50$ 100$ 100$ 40$ 50$ 100$ 5of; 35$ 25$ 25$ 40$ 50$ 50$ 25$ A seguir publicamos o quadro habitual com as cotações no mez que ora fi nda que melhor esclarecerá o leitor do estado ao que por um verdadeiro euphemismo, chamamos de «Bolsa do Pará»'.

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