Revista commercial do Pará Dezembro - 1918

6 REVISTA COMMERCIAL DO PARÁ Dahi a preferencia para o melhor producto e, provavelmen– te, a melhora de preço da nossa borracha se dará em virtude da maior procura. Não é isso um vacticinio e nem o fariamos convencidos · como estamos que sem um serviço de organisação prévia, me– thodico e arregimentado, nada se fará de proveitoso, nem só no amparo como na valoris•ação do nosso principal produ.cto. O que entretanto não padece duvida é que a superioridade da nossa hévea provem, principalmente, da maneira de a prepa– rar, pois, • o methodo de defumação tem a vantagem de incor– porar á borracha, no momento da coagulação, os elementos an– tisepticos provenientes da madeira ( do carôço), que impedem depois a alteração das meterias huminoides •· formada a bola de borracha por camadas successivas que se sobrepõem, vae ficando entre cada uma des,;as camadas uma certa quantidade de agua, de substancias chi:nicas, que conservam o producto fresco e na sua maior pureza, como chega aos mer– cados consumidores. Se o leite fosse coado, antes de defumado, talvez fosse o sufficiente para eliminar do producto qualquer corpo extranho que o possa tornar de so'Tienos valor. Mas, por emquanto, se deixassemos de preparar a nossa borracha como a fazemos, a unica cousa qu e poderia acontecer era desapparecer o nosso • TYPO •, com que de certo perd<!riamos a primasia de que ainda gosamos. Eis ahi um sério problema que bem nos poderia arruinar ainda mais. - O que muito precisavamos era conhecer o nosso Jogar de productor e as necessidades do consumo para a nossa borracha. Infelizmente continuamos a luctar com difficuldade até para conhecer os Stocks nos m'ercados consumidores e, conse– quentemente, da nossa posição como vendedores, sinão como productores desse genero por todos os fabricantes tão estimado. Bastava-nos, por agora, uns pequenos bureaux, nos princi– paes mercados, que podessem nos informar e zelar pela defeza dos nossos in1eresses. Mas, nem é bom falar nisso . . . tanto mais agora que, depois da guerra, só pensamos em PAZ - e política. Quem no momento teria olhos e ouvidos, por exemplo, para nos • convenios de paz • introduzir uma clausula em favor da borracha ? Porventura já alguem pensou em acautelar os nossos inte- resses perante os E. U. A., unico mercado que nos pode garan– tir um certo consumo, pois que, os demais serão da Inglaterra que tem quasi a pro9ucção mundial de borracha? A importação de borracha nos Estados Unidos, no~ onze mezes comparados os annos de 1916-1917 e 1918 foi, como se vê no quadro abaixo. A unidade ahi é de tons. de 1.000 k. = 2.240 i. PAIZES 1916 1917 1918 1 ~~~ médio annual lndia Britanica 42126 54359 104006 Inglaterra 28633 30306 9100 REINO UNIDO 70759 84665 113106 Brasil . 22383 21164 16273 Hollanda. 6892 15000 23274 Perú • 1423 1102 1600 1916 $ 136.383.634 Outros paizes da A. S. 1080 1660 1400 Mexico 1377 609 308 1917 $ 160.651 497 America Central . 522 532 320 Portugal . 1236 1481 137 1918 ' $ 187.722.332 frança 214 275 227 Outros paizes. 140 870 2090 Total. 106026 127298 198807 --- --- Já dissemos em numero anterior das plantações de borra· cha pek,s E. U. A. nas PHILIPPINAS, das plantações da Hol– landa, da Belgica, da frança e da Allemanha no Congo, no Indo-China, na Oceania . . . não vale a pena repetir. _ Dissemos que até 1925 seremos o menor productor de bor– racha no mundo, e pelo quadro acima se verá que já a . Hol– landa nos excedeu, no mercado Americano e era esse o nosso principal mercado. A esta hora já a Inglaterra se terá entendido com o Snr. Presidente Wilson sobre borracha, uma vez que os E. U. A. vão della precisar mais que nunca. Nós ainda nisso não pensamos, e para que? . . . Se 1925 ainda está tão longe, para que antec;par a nossa angustia? .. . Esperemos . . . que ainda podemos ter uma alta nos pre– ços da borracha, e por emquanto isso nos basta . . . Esperemos. PRODUCÇÃO MUNDIAL de BORRACHA ( por annos) ( A UNIDADE É TON. de 1000 I{.) PLANTAÇÃO 1 TOTAL MUNDIAL 11 OBSERVAÇÕES ANNOS BRASIL OUTRAS PROCED. CONSUMO \1 Plantações an- Total Plantado E. U. A. Inglaterra nuaes no Oriente (em acres) 1906 510 36000 29700 55210 28483 13838 144035 237240 t .. o 1907 1000 38000 30000 69000 28634 15913 1fl5672 402912 i: " 1908 1800 39000 24600 65400 28050 10828 142473 545385 i 1909 3600 42000 24000 69600 30669 15107 135970 681355 i 1910 8200 40800 21500 70500 31576 20455 203724 885079 ~ 1911 14149 37730 23000 75149 29235 16736 315328 1200407 E 42410 18724 247626 QI 1912 28518 28000 98928 50248 1448030 ... r::: 47618 39370 21425 108440 49851 25276 163091 1611124 8 1913 ; . 71380 37000 12000 120380 61251 18549 l 16696 1727820 .. 1914 .. Ili 1915 107867 32220 13615 158702 96792 15072 64975 1792795 .., Ili "' 1916 152650 37000 15000 204650 116475 26782 122758 1915557 ~ 1917 204251 39370 13258 256879 176123 25983 80000 1995553 1918 ( e1l1mat.) 210000 38000 1 12000 260000 - - - -

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