Revista commercial do Pará Dezembro - 1918
31 DE DEZEMBRO DE 1918 3 O C AMBIO AFINAL ve~ceu o bom senso, o que realmente é muito raro neste patz. O Governo acabou resolvendo intervir directa– men!e e di~~torialmente no mercado de cambio, para o que foi preciso o s1ho. ~as, sempre é alguma cousa : veio a lei, dimi~uio a espe– culaça? e o cambio não cahio mais. Não passa isso de sangria na veia de saude, porque foram medidas de caracter. provisorio e como taes têm de ser, -uma vez que cessou o motivo dado : = a guerra. Entretanto, nunca foi tão sério, como agora é, a resolução desse problema vital do paiz ; que é o problema, aliás, de todo o mundo. O problema do cambio é o problema magno e por excel– lencia da actualidade. No estudo delle se applicam, neste momento, os homens mais eminentes de todos os paizes. . Vae se normalisar a navegação transatlantica. O intercam– b10 va~ ser restabelecido com toda intensidade, entre os paizes dos dois continentes, que vão liquidar as suas contas e satisfa– z~r s~us c~mpromissos não mais com o ouro, que permanece– ra retido amda por muito tempo, mas, por cainbiaes pela per– muta de mercadorias, por valores de compensações. ' Ha muito que se vinha discutindo isso na Europa e nos E. U. A. e estava mais ou menos previsto o que se havia de dar e é possível que se dê. Entre nós, porem, a política absorve todas as attenções todas a t' ·d d ' s ac 1v1 _ª es, não nos deixando apperceber dessas cousas, para 0 que nao nos chega o tempo . . . nem os cuidados dos nos– sos estadistas. . Deslocou-se o commercio europeu em grande parte para o Oriente e o mercado monetario de Londres se acha grande– mente abalado pelo dos E. U. A. Todos trabalharão pela estabilidade do seu cambio. O mer– cado de • compensaºções se estava fezendo por emprestimos • que não eram mais do que permutas a serem retribuídas de futuro com outros productos. · Claro que não pode perdurar esse estado anormal do com– mercio internacional por muitos annos, pois, o commercio livre ou • Õ livre cambio • não o toleraria por muito tempo. Tão depressa como as nações que se viram envolvidas nessa grande g~erra consolidem as suas dividas, as cousas volverão aos seus eix_os, devendo a Inglaterra "tnover-se antes que todo o mundo, ~ots, a sua escola classica, hoje vencedora, continuou a ser pra– ticada quasi a rigor, de fórma que o seu serviço está quasi feito. A nova lei yankee confederando os Bancos do paiz arma- zenando O our - ,r. . , ' . . o, sera a saJra em que se vua chocar a bigorna mgleza, devendo ambos esses paizes impellir o malho esmaga– dor, nat~ralmente ainda ajudados peta fran ça. Sera uma retórta alchimica capaz de derreter aço .. . . A producção será porisso, como em todos os tempos, o ;/ 1 t?t • de todos_os phenomenos economicos que se regem pe- ei d~s necessidades, de onde as variantes da moéda, que é 0 _cam~t0, dependerão das boas condições economicas de cada paiz. . E ahi , pois, que vae bater o prégo, ou como diz o inglez: that 1s de question . .. Nos trez primeiros an nos de guerra a Inglaterra augmentou a sua c· I - d ' ircu açao e papel feduciario em cerca de i 160 000 000 . a frança em "' 530 000 · · ' uns "' · .000 ; a Russia em i 1.250.000.000 e a Allemanha em uns i 540 000 000 Jtalia pel A t . 1 • • . • acompanhados de perto pela , .' a us na, pe a Hungna, sem contar os E. U. A. que ~te fms ~e Novembro de 1917 já haviam emittido $ 4 00.000.000 por mtermed10 dos seus Bancos de Reservas fed E f d eraes. $ s 1man o mesmo ~or_ baixo, ahi foram emittidos mais de 15.000.000.000 pelos prmc1paes Bancos do mundo sem contar as suas emissões antes da guerra. ' Contra essas emissões havia um total de rezervas de $2.000.000.000 em ouro, longe por tanto da regra classica de 33 e 1/2 o/o ... com que, se necessitaria de mais de dois annos de accumulação da producção mundial de ouro para a consolidação dessas grandes emissões. Accrescentemos ainda mais um anno de guerra com maior esforço e, porisso mesmo, com maiores dispendios, e se verá quanto se precisa para consolidar tudo isso. E ainda teremos ó periodú da paz . . . com os soldos generosos ás forças a desmobilisar .. . Prevendo essas grandes difficuldades, parece que se fez um • comer • entre a Inglaterra e os Estados Unidos para o domí– nio do mercado de prata, de onde vae de certo sahir a velha questão do bi-metalismo. Mas, a Inglaterra tem que solver o problema da India, cu– jas colheitas se diz, especialmente da Península lndustanica, ser excellente e a mãe patria não se pode privar actualmente do al– godão, trigo e outros artigos que dahi virão. Mas, os producto– res da lndia não veem a prata com bons olhos e muito menos o papel moeda . . . Para ahi tem que sahir o ouro, e o ouro que para ahi vae, como todos os metaes preciosos, desapparece ... As emissões repousaram largamente no lastro praia e as tropas inglezas e americanas foram pagas em grande parte e em grande quantidade com prata, procurando-se dessa fórma pou– par o ouro e eximindo-se cada qual de receber a· pécha de dis– persor do precioso metal. Até onde poderão levar essa situação, é o que se não po– de prever; mas, o que se segue é que continuarão a guardar o ouro para a consolidação das suas grandes divid!ls e perma– necerá ainda por algum tempo o regimen dos chamados empres– timos de compensação_ que será uma especie de é/c com juros recíprocos . . . com accumulações. Mas, tem que chegar o dia de liquidação final e os saldos, nesse dia, só poderão ser pa– gos em ouro. . O esforço, portanto, de cada paiz, será ter saldo em mão dos outros e é este que terá então de ·• fazer o cambio •. • O alto valor do dinheiro no paiz devedor, induz os que podem delle dispor a invertei-o = permanentemente = fóra do paiz credor, o que torna inutil as remessas em metalicos •. Isto é, pelo menos, a regra. Que procurem outros a excepção que, por emquanto, vamos proseguir. As restricções no livre cambio do ouro, por sua vez, impos– sibilitam a estabilidade do cambio . . . e sabem todos que a Inglaterra fez o • trust • bancaria e os Estados Unidos tambem ; o que tem por fim manter o valor e unidade monetaria da moe– da dos seus paizes respectivos, no estrangeiro. Que fizemos nós em defeza propria e que medidas toma– mos para precaver-nos contra essa grande ressaca que se levan– tará amanhã ameaçadoramente diante do nosso porvir a depri– mir esmagadoramente o nosso CAMBIO de paiz devedor ? Seremos assim esmagados pelo nosso proprio peso, e chum– bados fica remos no mesmo logar se nos não afundarem na vo- racidade do cambio ! · Sob um peso consideravel de papel moeda inconver.sivel, que foi todo emittido • como emprestimo de compensação • ou para pagamento de dividas, não teremos ouro para consolidai-o e, provavelmente, porqu e delle todos precisam tambem e nos não poderão emprestar, a nós que só sabemos viver de empres– timos ... e em1ssoes. Teremos de pedir, que nos v en ha m ensinar a dirigir os nossos negocios e a maneira de consolidar dividas? Parece que para r e gu lar as nossas contas e defender' o nosso futuro, com uma eventual grande baixa de cambio, de– víamos desde já pensar nisso, que de ha muito devia ter entra– do no numero das nossas profundas cogitações. - Para isso era mister que nos houvessemas appàrelhado a ser credores em cfc no dia do ajuste de contas, para poder– mos receber ouro que não tem_os e_ evi~ar procural-o quando todos quererão reputai-o por mmto d111he1ro.
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