Revista commercial do Pará Dezembro - 1918
22 REVISTA COMMERCIAL DO PARÁ ESTADO do PARÁ NÃO podemos aspirar melhoras no nosso estado financeiro e economico antes de provarmos, mesmo sem dizer, que mu– damos de vida. Precisamos provar que nos estamos submettendo a uma série de sacrificios e esforços para sahir desta situação afflictiva, sem o que não nos darão credito. , Um negociante que se achasse em sérias condições finan. ceiras, de credito abalado por excesso de despesas ou maus ne– goc~os, e que recorresse aos seus credores para um accordo ou a solicitar maior auxilio antes de cortar cerce essa despesas que o levaram a ruína, apresentando um balanço equilibrado capaz de captar de novo a confiança alheia, não readquiriria o seu credito e encontraria todas as portas fechadas á seus cla– mores e supplicas. Assim é o particular, é o industrial, e porque não ser os governos? Pensar que os fornecedores, os credores, os homens de ne– gocios e banqueiros facilitariam credito a um Estado qualquer só pelo valor moral do seu dirigente, é utopia. Der:1ais os go– vernos mudam, os homens se succedem, e o Estado fica . . . Temos que primeiro fazer o sacrifício supremo, cortando fundo as nossas despesas a serem bitoladas pela receita, qualquer que ella seja. Uma vez equillibrados esses dois corpos constitutivos da vida organica do Estado, demonstremos que vivendo dentro desse circo restricto e acanhado, sem mais fazer do que arreca– dar impo!tos, satisfazer dividas e paf, u fu nccionalismo, acaba– remos perecendo, ou pelo menos estacio.1_.dos, quando o Estado precisa não parar, precisa evoluir . . . Então, podemos pedir fundos, garantindo com o nosso futuro, com a nossa energia e aptidão para o trabalho que vamos desenvolver com esse ca– pital que solicitamos, novas fontes de renda surgirão, augmen– tando a nossa riqueza, o nosso patrimonio, o que constitue uma garantia a mais para os nossos credores. Mas, se apresentamos as nossas contas desequillibradas e vamos nós mesmos demonstrar que não temos recursos para solver os. nossos compromissos ; a primeira cousa que occorre ao credor é que vamos buscar o seu dinheiro para satisfazer compromissos que contrahimos com outros e que, se amanhã não houver outros que emprestem para satisfazer estes compro– missos, ficará com o seu capital mal amparado ; e se hoje é difficil cobrir estes deficits, amanhã deve ser mais difficil ainda, pois, os compromissos serão maiores. Se não fomentamos a nossa riqueza nem augmentamos a nossa receita, não podemos pensar que seja rasoavel esse ra– ciocínio? E os banqueiros são os mesmos em toda parte; e em materia de negocios todos pensam da mesma maneira. Amanhã se a • sorte • nos sorrir, porque, a verdade é que conti– nuamos a esperar por ella, pelo destino, ou pela Providencia, = se a sorte nos sorrir, dizíamos, augmentaremos as nossas des– pesas até onde chegar a nossa receita ; antes, porem, temos que viver como pobres que somos, sómente com o que temos ... com o que nos deixaram. Não agradará a muita gente esta nossa linguagem, mas, ha bem pouco lembrou um orador sacro qµ e • o mundo não pode rolar sem es magar alguem » ••• e o mundo é uma bola ! Abaixo offerecemos os nossos quadros costumares que ·me– lhor elucidarão o leitor que nos quizer fazer justiça de crer que somos verdadeiramente sinceros e não temos segundas intenções. Rendas do Estado do Pará no Anno de 1918 • ( A UNIDADE f CONTO de Rtls) • Este quadro está sujeito a alteração. 1 li Ili IV V VI 1 VII VIII IX X XI XII 1 XIII MEZES TOTAES Expor- lnd. e Sellos Trans. E. F. B. Aguas Curro Diversos Divida Terras lndemnii. Eventuaes App. tação Profissão prop. Activ~ e laud . espec. Janeiro 331 . 3 17 50 111 64 55 8 18 1 - 02 64 722 2 fevereiro 128 149 26 35 99 64 55 16 14 4 2 2 65 659 Março 237 96 25 35 121 68 65 14 28 - 2 4 113 808 Abril 256 108 25 52 115 58 68 33 12 - 4 4 107 842 Maio 310 79 24 57 116 58 68 37 10 - 5 5 68 837 J unho 31 31 19 19 111 58 65 46 15 2 44 38 44 488 8 Julho 154 3 21 34 122 48 10 145 10 o 3 21 36 607 Agosto 289 26 23 117 115 67 5 350 14 2 38 14 29 1089 Setembro 161 6 18 259 9 43 4 69 . 10 o 5 2 54 640 Outubro 107 8 17 48 144 45 3 350 10 o 7 31 55 825 Novembro 348 11 9 10 110 39 12 25 14 2 1 21 262 864 Dezembro 337 9 8 19 125 40 10 736 - 1 2 - 4 1291 ·-- --- . 2689 529 232 735 1298 652 420 1829 155 12 113 108 901 9673 , NOTA: A renda do Curro no 2,0 Semestre foi escripturada pelo saldo d4! cada mez o que não altera o resultado. A E. F. de Bragança ao encerrar o exerclclo de 1918 deve dar deficit.
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