Revista commercial do Pará Dezembro - 1918

l 31 DE DEZEMBRO DE 1918 13 Assim, em épocha de carestia de subsistencia, de escacez de generos de alimentação de primeira necessidade, o papel dessa sciencia é da mais alta importancia,, pois, é pelo seu es– tudo que se tem de deduzir das medidas a adoptar para o augmento da producção e fazer baixar os preços dos generos, se possível, justificando-se então, a intervenção do Estado, quan– do de sua acção puder resultar conveniencias. Não, porem, arbitrariamente e aereamente como temos feito. Naquelle caso, as estatísticas agrícolas, que não temos, des– empenham um papel de capital importancia, uma vez que nella se fundam as reformas de ordem geral ou particular de cada região, de cada classe de culturas que convenha desenvolver ou crear para obter resultado satisfactorio. Sem boas estatísticas sobre areas cultivadas, qualid~des e quantidades de culturas, gastos das mesmas, preço de jornaes, renda da terra, etc., é impossível obrar sobre economia da pro– ducção da terra para obter effeito rural e social desejavel. • O Estado que não dispõe de estatistica agrícola ou a tem defi– ciente, escreve Mr. Calderon, se encontra na situação do cégo que pretende percorrer um caminho que não conhece, quando se propõe a ditar reformas com o fim de obter um resultado determinado na quantidade ou no preço dos artigos de primeira necessidade •. Com a particularidade ainda, diz o mesmo es– criptor, de que • as estatísticas são formadas com elementos tomados em plena crise agrícola, em epocha de variações desor– denadas de preços, carecendo de exactidão e sinceridade, tor– nam-se falsas e nada resolvendo •. São licções essas que temos de annotar nos estudos mo– dernos de economia rural, quando estamos vendo o trabalho, o capital e a terra, em seus effeitos economicos, soffrerem trans– formações profundas na evolução da agricultura. É desta evolução que vae depender o progresso agrícola de todos os paizes. Na antiga industria agrícola, a terra, o di– reito do proprietario do sólo, era tudo. O capital quedava-se reduzido a um elemento sem valor para os effeitos da industria e de um valor exagerado para os do interesse, appercebendo-se pouco do trabalho humano. Hoje, na agricultura moderna, a pratica demonstrou que o progresso do jornal é o primeiro e principal elemento do des– envolvimento agropecuario. Sem isso, o fomento da economia rural se fundará em bases falsas que tarde ou cedo concluirá por fazer perder o equilíbrio a todo o edifício. A remuneração da mão de obra agrícola tem que progre– dir em harmonia com as demais industrias ; e se a condição de vida do trabalhador agrícola fica muito abaixo da do obreiro das fabricas e officinas, a bôa mão de obra fugirá dos campos, ficando alli sómente os menos intelligentes, os inhabilitados, os menos aptos, portanto, a desempenharem um bo~ trabalho, que aliás só se pode hoje obter salisfactoriamente por meio de mactiinas. Dahi a emigração que se nota, em quasi toda parte, dos campos para a cidade, pondo em perigo a questão de abaste– cimento dos centros mais populosos e até de algum: paizes. Observa-se hoje na Europa que em muitas regiões onde trabalhavam 1.500 e 2.000 lavradores, só existem 1.000, em sua maioria mulheres e creanças, sem que a producção tenha dimi– nuído. É que se faz actualmente grande uso de animaes para tracção, de automotores, de machinismos economicos e aperfei• çoados para preparar a terra, semeai-a, colher e carregar as colheitas. Nota-se porem, que os salarios augmentaram e até dobra– ram, o que não acontecia ha mais de meio seculo. . Assim, pois, ficou evidenciado que o progresso agrícola é isto: = obter cert? producto em grande quantidade, empregan– do a menor quantidade de mão de obra possível, - remuneran– do melhor esse esforço a quem o produz. • Os destinos dos povos exigem, nos tempos presentes de tragicas realidades, de aventuras e desventuras immediatas para os destinos patrios, diz um escriptor patricio, que as previsões sobre os problemas economicos antecedam os acontecimentos com assombrosa rapidez •· • Caminhamos para uma nova i:ra no regimem social e po– litico do humanismo civilisado, que se não coaduna com a nos– so commodismo •. Na verdade, não podemos mais fiça r estacionados nos an– tigos methodos de producção, que predomina em todo este vasto paiz. Temos que nos guiar pelos methodos da sciencia e da arte de explorar os animaes, as plantas e as terras, evoluindo com o meio social hoje creado por esta grande guerra que fin– dou, marchando harmonicamente com as industrias que auxiliam a producção e com o commercio que nos compra os nossos productos, lado a lado com os centros consumidores que com– nosco permutam os seus productos, ainda que estejam a gran– des distancias das nossas costas ou do nosso continente. Da massa social que ahi vem vão despertar desejos insof– fridos, insuperaveis amanhã quando o egoísmo de interesses contrapostos se chocarem. E não temos tempo a perder, uma vez que esses problemas' hoje exigem solucções promptas, immediatas. Não podemos continuar a dispersar o melhor das nossas energia em discus– sões infindas, quando todo o mundo age, e age promptamente. Prestigiemos os syndicatos e as cooperativas, que delles é este seculo. Mas, sobretudó bebamos as licções dos factos e procuremos apprender, pois, no fundo,· tudo isto encerra, para nós, uma grande licção de economia rural. A mão de obra bem remunerada, nos seringaes, attrahio o emigrante que encontrava alli com que comprar tudo quanto precisava, não valendo a pena produzir para a sua subsistencia quando com menos tempo e esforço ganhava para tudo. Assim a industria extractiva matou a agricultura e atrophiou a pec11aria. Se porem levarmos estas industrias ( agricultura e pecuaria ) a altura do que modernamente se dá ess·e nome, acabaremos, da mesma fórma, preferindo comprar borracha do que produ– zil-a. Assim, temos que fazer evoluir a nossa lavoura e criação incipientes, o que só se o fará melhorando a mão de obra pelo •seu aperfeiçoamento até podermos pagar-lhe diarias compativeis com esse trabalho. Se tentassemos industrialisar as nossas multiplas materias primas com a mão de obra de que podessemos dispor aq ui, iríamos arruinar essa industria a poucos passos se, de antemão, não resolvessemos o nosso problema agrario e pecuario, porque, por essas annotações se vê que o industrialismo attrahe os tra– balhadores dos campos para as cidades, onde, se elle não for amparado pelo desenvolvimento parallelo da agricultura e da pecuaria, sobrevirá .• a carestia da vida • que aniq uilla o opera– riado, obrigando-o a gréves successivas, levando-o a revoluções que perturbam a boa marcha dos negocios, a organisação do Estado e da sociedade em geral. MOREIRA, GOMES & Ca. ºº"ººººººººº CASA 8 ANC AR IA ºººººººººººº S ACCAsobre Londres, Paris, Hamburgo, Bruxellas, New-York, Barbados, diversas praças da Su1ssa, Russ1a, Turquia e Marrocos, todas as cidadas e villas de Ponugal, Hespanha, ltalio a principaes praças do Paiz. Fazem pagamenlos por lalegramma e em domic1lios. Compram e vendem ouro, prata e papel moeda de todos os paizes. Vanlagans em suas taxas, USAM OS CODIOOS { A. B. C. edição 41. e 5,. Ribeiro. Liebu"s Panicul rcs e Two-in-onc. Belem-Parli , B~AZIL, Caixa postal, 22 - Tele_!!hon~, 187 - End:..telgr., · MATTA R. 15 DE N,OVEA1BR.O, 7 BELÉM - PARÁ - BRAZIL

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