Revista commercial do Pará Dezembro - 1918
11 DE DEZEMBRO DE 1918 Exportação de Borracha do Pará e Amazonas ( comparados 1916-1917 e 1918) DO PARÁ DO AMAZONAS PARÁ, MANÁOS e IQUITOS MEZES 19Hi 1917 1918 1916 1 1917 1918 ANNOS para Europa para America TOTAES Janeiro 1702 1899 1074 944 1473 . 1484 1910 22980. 15060 38040 fevereiro 2219 3375 15'47 2018 2365 1067 1911 19760 16100 35860 Março l679 1754 1704 1205 1566 1196 1912 21995 21365 43360 ..... Abril 2612 1965 994 1703 1317 - 1913 22185 17235 39420 Maio 2022 2874 2280 1198 1374 792 1914 16034 21686 37720 Junho 666 969 - 756 1011 - 1915 15186 22519 37705 Julho 1070 493 902 695 484 1049 1916 11622 23384 { Agosto 930 1386 1084 982 1468 953 35210· Setembro • Suldo Paiz 204 1137 11 40 1076 1127 839 848 Outubro 1635 1065 409 941 1063 275 1917 12157 24413 Novembro 1155 1858 2287 1057 1925 2061 • Sul do Paiz 155 { 37085 Dezembro 2061 1005 3018 1615 414 3140 6384 30373 ~ 1918 23989 19783 16518 14241 15290 12865 • Sul do Paiz -- -- E. F. de BELÉM a P IRAPÔRA COMO um relampago, de vez em quando apparece no hori- zonte do nosso fu turo o projecto de construcção de uma es– trada de ferro que nos incorpóre ao resto do paiz. Resplandece esse raio de luz da esperança no nosso espirito, para desappa– recer amanhã ao menor sopro ele brisa, como tenue e leve ne– blina que se apaga ao menor raio de sol ... Ainda no governo Hermes, um dia pareceu que tudo esta– va resolvido e lá vinha a Pirapóra a caminho de Belem . . . Es-. colheu-se um dia festivo, e em commemoração a data da lnd e– pendencia do Brasil, com toda solemnidade, foi collocada a pri– meira estaca dos estudos definitivos do prolongamento da Cen– tral até Belem do Pará. O Jornal do Commercio do Rio, com tod a a sua circumspecção, affi rmou que esse grandioso emprehen– dimento acabava de ser resolvido pelo Snr. Marechal Hermes e J. J. Seabra, constituindo « o grande élo das relações entre o Amazonas e o centro do sul do Brasil •. Iam se • integrar • na civilisação brasileira immensas zonas do norte de Minas, Bahia, Goyaz, Piauhy, Maranhão e Pará, dizia o citado jornal. « As viagens de Belem ao Rio ficariam reduzidas a 3 e 1/2 dias, facilitando-se, dessa fó rma, a communi– cação com a Europa e os.. E. U. A. •· Iamos emfim atravessar as cachoeiras de Pirapóra, u rio S. francisco, e não sabemos mais o que - com uma ponte de 800 metros. Passaríamos o Paracatú, admirando a sua catarata magestosa, chamada de Cachoeira Grande ; "correriamos pelo valle desse rio até a barra do Rio Preto ; galgaríamos o Planal– to Central attingindo ahi a cidade de formosa , no limite da fu– tura Capital federal. Dahi buscariamôs as cabeceiras do rio Paraná e por esse valle iriamos ª. Barra do rio Tocantins, passando pela cidade de Pal~as. Segum.do pela margem direita do Tocantins até Impe– ratriz, passando em Porto Nacional Carolina Porto franco de Boa Vista, h_uscariam?s Q rio Capim'. e seguindo pelo valle deste e do Guama, cheganamos porfim a Belem com 3 e 1/2 dias de viagem! Oh ! maravilha ! ! . . . Tratou-se logo dos devidos ramaes ligando a linha tronco a E. f. de S. Lu iz a Caxias que seria prolongada até Porto franco de Boa Vista ou c;rolina ; de Palmas a Barreiros ponto terminal da navegação do Rio Gran– de, affluente do S. francisco, dando-se por ahi communicação com a Bahia. De S. Philomena sahiria um outro ramal ligado a linha principal que daria communicação com a navegação do Parnahyba, e o Dr. Paulo frontin disse • que esperava poder encetar o primeiro trecho para formosa ainda a ser inaugura– do no governo Hermes . . . e o snr. f rontin era o homem que deu agua ao Rio em trez dias ; tinha sido o braço direito de Pereira Passos, e teve a coragem de resolver o problema de duplicar a linha da Central, al argando e duplicando treze tuncis ... sem verba nem auctorisação do Congresso . . . Era pois, um homem para muito mais ! Quem podia duvidar? Desta vêz _ teremos a Pirapóra, pensamos nós, e nessa noite sonhamos que tinhamos feito essa grande viagem atravez desse vasto conti– nente, vendo todas essas maravilhas, como num cim:matographo, passarem pela nossa vista num trem expresso a 120 kilometros a hora, que nos havia posto em Betem· do Pará em 24 horas ! ! E nisso ficou . . . era de facto um sonho . . . esvahiu-se, desappareceu. Encontramo-nos um dia com o snr. dr. Pires dos Rios que desfez todas as nossas íllusões : • Pirapóra éra um sonho de loucos .. . • • Não a comportam as nossas finanças, nem haverá compensação ahi, para tão gra ndes capitaes •. Tambcm acreditaram-n'o os nossos represen tantes no Con– gresso fede ral e . . . • caluda! ... • ~ão vale a pen.a malhar em ferro frio : não se fale mais nisso. Não conseguiu, porem, convencer o snr. Monteiro de Sou– za, deputado pelo Estado visinho, e lá surgiu como a Phenix, 0 projecto da Pirapóra-Belem. Só applausos teremos para o snr. Monteiro de Souza. Não se concebe porque, mesmo sendo uma loucura, não se leve a termo essa grande via ferrea que nem só nos vem integrar a federação, como resolve o nosso grande problema economico e de povoamento do sólo, pois, está hoje consagrado como doutrina incontesta que • um paiz só será verdadeiramen– te invencivel quando elle se baste a si proprio •, e não podemos dar extracção aos nossos proprios_ productos nen:i _desenvolver 0 nosso commercio, a nossa industria, a ~ossa p_ohtica economica, resolvendo um problema social da mais al~a 1mportancia como 0 da integridade da Patria, sem a construcçao dessa Estrada de fer ro que para nós constitue questã? de vida ou morte. Com ella seremos uma potencia como os E. U. A., que tem O seu grande mercado nos seu~ proprios Estados. Sem
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