Revista commercial do Pará Dezembro - 1918
.. BELÉM, 31 de DEZEMBRO de 1918 Revista Commercial do Pará Da Casa BANCARIA de MOREIRA, GOMES & Ca. RUA 15 de NOVEMBRO, 7 li Endereço telgr.: MA TT A Caixa no Correio N. 22 Cod. {Lieber, ABC, 4.•& 5.•ed., Ribeiro li BELÉM PARÁ BRASIL igos Particulares, Two-in-one ( Condensador ) • • ANNO IV li Sob a direcção de LUIZ CO RD EI RO li NUMERO 7 . A "REVISTA" AINDA hoje temos que ceder esta columna, como da proxima vez, ao assumpto mag no da actualidade ; com a differença, porem, de que aili findamos com as palavras, • a paz e a g uerra • e aqui teremos de inverter a phrase e começar por « a g uerra e a paz •.. . porque hoje se trata somente da = PAZ. Confessemos com sinceridade que foi uma grande surpreza para todos, essa paz por armisticio que acabou com a guerra como por effeito de magica. Um bello dia, quando menos se esperava, bruscamente ces– sou a lucta e .. . = acabou-se a g uerra! Inventou-se para isso um armisticio, querendo impanar a luz forte da verdade, cobrindo-se a derrota completa da Allemanh a com esse manto d e Nessus inventado pela civilisação que discretamente quer velar a ver– gonhosa capitulação da orgulhosa dinastia do Kaiser. Tendo surgido em massa, no front, esses hunos furiosos de ho ntem, com os braços erguidos e entregando-se a d iscripção, g ritando que queriam paz, não se d evia concorrer para humilhar ainda mais quem tão . . . « humilhadamente » ( digamos assim ) se postava ante o inimigo vencedor. São todos assim, parecendo mesmo que todos os déspotas , após e nveredarem pela senda do crime, não podem mais parar . . . com mêdo. Temem a tudo e a todos. Vendo em todos os cantos só inimigos a clamarem vingança, sentem que desappareceu dos seus corações todos os sentimentos altruisticos que, no vacuo ahi deixado, ani nha o pavor que lavra e proliféra no Jogar da co nsciencia, como herva daninha em campo abandonado. Mas a consciencia, ahi, é o sólo. Só ella subsiste, e mesmo tozada e queimada a herva, o campo fica . . . Embora se a tente banir do corpo, do espírito, da alma, ella fica, acabrunha-se, fraq ueja, mas fi ca sempre, e resurge no momento opportuno como o juiz implacavel empunhando a es- pada da Justiça. . Só a consciencia não se escravisa; é soberana ; domma os espíritos como a Soberania Divina ! E vive omnipotente, porque nella vive a Justiça, o Direito, a Moral, essa grande força que tudo vence e domina, como a f é que ella alimenta. Salvou-nos porisso a FÉ. Bemdigamol-a ; glorifiquemol-a ! Tambem os phenicios aportaram um dia na peninsula como simples negociantes e não como invasores. E os seus metho– dos não foram outros ... Os Suevos, na esperança de encontrar viveres, riqueza.s e glorias chegaram a formar legiões na margem do Mens ; mas, eram multidões de tribus differeutes, e foram tambem derrota– dos. Erarr elles, os allemães de hontem, que hoje voltavam com os mesmos intuitos, depois de terem revivido em gerações successivas a sêde de conquista dos seus pósteros cuja ambição desmedida estenderam a todo o Mundo. Mas, ha seculos que os Gigantes e Titans foram expulsos dos céos e sumiram-se nas rofundezas da terra . • . diz a historia, que tambem nos ensina pue • désde o seu nascimento o homem tem junto de si um ~emonio que influe nos seus actos e nas suas deliber;tções, sem comtudo limitar a sua independencia e a sua vontade . . . • : = é o genio. A frança o tinha : era foch. A Inglaterra o tinha : era Uoyd George. A Belgica o tinha: era Alberto I. Os Estados Unidos o tinha : era Wilson. Não o tinha á All emanha, cujo Kaiser se fez um falso Deus, e re vivendo em seu povo as aspirações dos antigos germanos de « separar o Universo, • unificou.o ainda mais ; e embora te– nha substituído o velho desejo dos seus antecessores de « fazer um mundo de trévas • pela mystificação de fazer um mundo de luz sob a sua sciencia e KULTURA, conservou-lhes a idéa de e fazer um mundo de fôgo • até alcançarem o sonho secular da posse do Oriente. Vae ruir toda essa organisação social e impallidecer, talvez, a ling ua tedesca como na Etryria antiga que, de tanta sciencia só fi cou, como estes. ficarão, com o seu aruspice, irando pro– gnosticas do que observaram ll " S entranhas das suas victimas . . . Como a historia se repete, resta-nos reviver agora a lenda de Plutarcho, chamando os homens de Etruria a praticarem as formulas sagradas: cavando · um fosso profundo em torno do COMITIUM onde cada cidadão da nova cidad: arrojará um pu– nhado de terra vinda do sólo natal e que misturada se ha de chamar, symbolicamente = o Universo, que será o mundo novo que todos aspiramos, confundindo nelle todas as nacionalidades, todos os poderes, todas as civilisações do mundo antigo . . . qu e se diz vae agora findar. Só nos preoccupa actualmente é saber se teremos um Jogar marcado nessa cerimonia . . . e d esde já devíamos procurai-o, marcai-o ao menos com um lenço . . . se não podermos occu– pal-o immediatamente; e isto porque podemos ter o despraser de ver amanhã occupado esse logar por outros mais audazes e quiçá, - mais fortes que nós. L. C. • BOLSA do PARÁ SERIA bom que se graphasse aqui quanto tem de imaginario a Bolsa do Pará, pois, verdadeiramente não a temos. Um edificio que se destinava á Bolsa e custara já, mais de 3.000 contos, pagos pelo commercio, foi demolido pelo governo passado que para isso dispendeu 80 contos, por ser mais eco– nomico arrazal-o que acabai-o. Mas, mesmo imaginariamente, seria difficil dizer das tran- 5acções consideradas d e Bolsa, em nossa praça, tal a nullidade dellas e a penuria dos negocios de bolsa entre nós. Restrictas transacções foram feitas em acções aos preços das cotações a seguir, tendo havido algumas vendas de maio r vulto em apoiices federaes uniformisadas que foram cotadas de 880$ a 920 , com firmeza, du rante todo o semestre que ora find a. A Casa Bancaria MOREIRA GOMES Offerece sempre os melhores cambios
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