Revista commercial do Pará - Janeiro - 1917
l.º SEMESTRE DE 1917 5 O CAMBIO É hoje de uma clareza crystalina a situação do cambio no Brasil. Não ha mais illuzões possíveis sobre o estado do mercado de permutas com o exterior que se define elucidativamente com uma exactidão indu b(!avel. A nossa producção é insufficiente para acudir ás necessidades do paiz e supprir a necessidade de ouro. Os grandes saldos que a estatistica regista, no nosso balanço ·commercial, são diminutos para attenderem á procura de cambiaes que se exige no intercam– bio commercial com o exterior. Tendo cessado, em virtude da g uerra, os creditas no exterior, até mesm_o para os bancos estrangeiros que os tem hoje relativa– mente ex1g uos, não se pode g irar saques a desco berto com a fa– culdade de coberturas a 90 dias, sendo porisso necessario faze r re– messas antecipadas e saccar sobre ell as. Dahi a depressão cons– tante do mercado, abatendo cada vez mais as taxas pois quem– ~ompra a -10 - -tem que vender pelo menos a 9, - acti~an'do~se com isso cada vez mais a procura para a mercadoria que nos vae fal – tando, a qual é esse ouro de que carecemos.- Podessemos publicar, no exíguo espaço desta R.evist;, um dia– grami~ia do movimento cambial desde o inicio da guerra e ficari a graphicamente demonstrado que a baixa tem sido constante e gra– dativa, ~em que, em cada reacção de alta, attinjam as taxas ao ponto de partida. Assim é que, tendo o cambio baixado de 15 3 /to em Junho de 1915 (média) reg istou-se em Setembro desse anno até 15 13 /o4. . Elevando-se de novo, não mais attingiu a 15d. Registou-se 14 3 /rn ainda em Dezembro desse mesmo anno, mas, nova baixa se deu até 11 ¼ para de novo volvermos a 12d em F_evereiro e 12 ½ em fins de Maio deste anno, continuando o mo– vi_mento de alta e baixa, durante o anno de 19 16, sem nunca attin– g irmos, em cada alta, 0 ponto de partid a para a ba ixa. b Ha _muito_ era essa a nossa verdadeira situa\ão, que se aco- ertava illu zonamente nos saldos da exportação sobre a imp rtação, qua nd0 0 mercado se escudava no credito elevad o até o 1110111e11to d r · - ª l~ttidaçao que se fazia por meio de novos e: successivos em- ~reStímos. Já, porém, que tudo se aclara, seria a vez de regul a- n sa rmos os 110 . d . , ssos negocios de accor o co111 as nossas posses, o ~ue s~ sera passive i pela consolid ação de vez das divid a publicas t ~ paiz, com que se consolidaria tambem o nosso credito até for– a ecel-~ ao ponto d e tentarmos uma uniformisação de dividas, que hoie se im - . . d . . . d · poe como uma das nossas 111a1ores necessidad es, 1m111u1n o as a . • Po . 1 ' rnorhsações pelo prol o nga111 e11to do praso e, se ss1ve com red - • , 1 1 b Pod ' f ucçao de jn ros, pois e pa pave que em pouco emos azer pronfis . no estado em que vivemos, assoberbados de com- xia e sos_, a_c,,brun hados pelo peso d e uma divida qu e nos asplii- an111qu1)) a. Por vezes ·, eco . Ja havíamos pens:ido se r a nossa CRISE não mais no1111ca ou fi . . . . A . . nance1ra mas - das fmanças publicas do pa1z. de i 49d~~ 1;~ externa Federal é de i 108.629.000 ; a dos Estados num t i I d OO ( em fin s de 19 14 ), e dos Municípios i 12.783.000, de acc~e: . e i 17 1.000.000, em nu111 erõs redo nd os, a qu e se te rá de i 8 _00 ~~~0~s eniprestimos fundin gs . Essa di vida requ e r mais t . 0-es A para o se rviço de juros anrt11 alm e11te, fóra as a 111o r- 1saç . remes d . . ~ 0 t· _ sa e ouro para o exterio r, po r particul ares, JU· 1 os e , " r 1sacoes d . d governo no ex.te ri . e ca p1taes e tra nge iros no Brazil, despesas o d e milh o-es d _oi~ -seguros e outras, é, calcul adamente, de un s oz e lib1 as p · · · d · ·11 - d l ·bras a 1 · recisa, pois, o pa1z e un s vmte 1111 10es e 1 , , nnua mente . N t da , pnra as s uas necess idad es i111presci ndive1s. d elml O . ~ nof~sa divida ex terna está e m moratoria · ma se fala e a pa1a s1gn1 1car a · 1. 1 . . ' ' ' 1nexp 1cave ba ixa d o cambio, ape ar do sald o de ~ 22 -0?0.000 registado em nosso balanço co111 111 ercial em J 915. Dah,, porem, se deve retirar i 5. 149.000 q11e ex portamos cm ouro amoedado, o qu e reduz o saldo a i 17.000.000. O ambio tomado para a redu cção desse ouro foi d e 16d, qua11do j á ell e havia baixado até 10 e tantos. Mesmo que se q11eira tomar a média de 12d, a cliffercnça se- ria de mais de trez milh ões, o que reduziria o verdad eiro saldo a un s quatorze milhões. Deduzido dahi os doze milhões, de que se carece, resta uma differença de dois mi lhões, que não cobrem a somma que ficamos a dever de armamentos e munições, compras diversas e saques a descobertos. do Banco do Brasil, feitos no fim do governo passado, po r conta do emprestimo de 20 ou 30 milhões que, felizmente, não conseguimos realisar. Os compromissos do Thezouro anteriores a 1915, disse em Mensagem o Presidente da Republica, eram de 36.358 contos ouro e de 311.285 contos papel. Desse debito foram saldados 30.136 contos ouro e 155.096 contos papel, restando então pagar 6.222 contos ouro e 156.186 contos papel. Devendo ter sido de 145.000 contos, papel, o deficit de 1915, segue-se que entramos em 1916 com um debito do Th ezouro de 320.000 contos que, ac– crescido pelo deficit de 1916 far-nos-ha chegar ao termo da mora– toria quasi com o mesmo de bito a consolidar! com _uma di~i~a interna consolid ada de 1.748.000 contos e uma c,rculaçao feduc1 ana de cerca de 1.500.000 contos. Conseguiremos receita capaz de cobrir o serviço dessa grande divida? Não seria um alvitre appelarmos internamente para uma con- versão de divida perpetua de renda vitalicia de 21 /2 ou 3 o/o e ex– ternamente bu scar, por um accordo, uniformisar o nosso çebito com uma prorogação de praso e redu cção de juros ? O devedor ho nesto que pensa em pagar o que deve e se sente acabrunhado elo peso iucessante de um a grande di vida que lhe tira o somno, p- 0 pode trabalhar e acaba perecendo. Não podemos trabalhar :im tão grande pesade ll o. Pedir mais impo:_tos ao · p~vo ~ impos– sivel. Improvisar receitas e ~largar producçao, sem d111he1~0, sem credito, é ig 11 allllente i111poss1vel. Pe rd emos . 11111 larg? p_enodo de t , qtie nos fo rn eceu a segu nd a ma ratona e quas1 nao melh o- reg uas . . , , . . ramos de situação. Só o traba lho e a econom ia ate a m1sena se nos ·t 11 . as e' mister ali viar esse grand e peso para não sucumbirmos. ai, o 1a, 111 , • Formulando Ulll balan ço exacto do~ _no os negoci os e_ do :s– laclo do Thezouro P. fed era l com ex pos1çao clara da nossa s1t11açao, IL,·ando um pla no delin eado ~ um progra '.°_ma ~açado cio que se !ta de faze r, depo is de nos deixarem o e ·pmto li vre de pesade llos, t d d e antemão com o homem que ha de desempenhar o apon an o • 1 d a n1111 a qu e será o pen hor hypolhecano da nossa pa avra , ar uo progr , . . . . I ~ se c-btivesse. . . N esse programma sena preciso 111clu1r tal vez a ,,o E d F · 1 · C t I d 0 arrendam ento das nossns . d e . erro, me ns,ved a en ra_ o . t . feri·ncl o-se aos arren ata n o~ o serviço e en11graçao e Bras il ians · d · .' - . a venda das villas opera ri as e das fazendas e cna- colomsaçao , . A · lt d y · - Ob _ f - do Ministeno da gncu ura ao a 1açao e ras çao · a usao · · d ' E E- f F '. · sem o serviço ali ena o a . . . ., apenas am- Publ1cas que, . . - • - . . d aiiamento de f1scah saçao do · portos com o de Viaçao, pha na o cp . . a-o e p voa mcnto. 1111n11g rnç • t · 1 · Estado não pode ser mdu ~1a, ta12to mais agor: que nos O d occuJJar sinão d e ad mn11 straçao e arrecadaçao de reri- não po e111os ' .. ag amento d e d1 v1das. das para p . bl d t - d E de f erro em concorre11c1a pu 1ca e arrema açao Pon o as • . d Cnt o se estabelece ri a clausulas que ac;111tclasse 111 os I Jor arren am , • d . . •t fu turos e presentes, o augmeuto progress ivo as nossos du ei os · b · - cI 1 · · - conservacão do materi al, a o n gaça0 e co omsar construcçoes, ª a mane.ira de O fazer, e o q11 e 111a is eria, - ces- a s suas marrre ns, ' 1 t . :-'t d ., 1 es inas que passariam a dar-110. 11111 a rc 11t a cer :i. -·a O defic1 as 1 ' sa i I icanos qu e sabem isso fazer e mo rrem por em- Os norte-amer · ·11 -es t a talvez ahi viessem despe111r o se11s m1 10 as dessa na urez , ' C . . prez estão a accenar ... d e longe. e. sa na assim a com qu e nos . ue se recommendaria aos arre nd alarios, esta- d e burocracia, q h' gran tl e 11 acio nlles a serem a I cmpregndo , 11 se b I do O n11 111ero ' 1 e ecen tractozinho de terras com a g uma sementes . .. li e offerecendo uni 1 , . ·to é que no momento actual se preci a d e emo- O que e ce1 , . azes de abalar o orgamsmo nacional combalido e ões fortes cap d ç · c·do pelo choq11e e um peso q11e o está acab runhando algo adorn1e 1 <l ' anilllal sobrecarrega o que se re usa a dar mais um passo COlllO Uni , d . t com O que tem as costas . .. a ian e L. e.
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