Revista commercial do Pará - Janeiro - 1917
- - 1.º SEMESTRE DE 1917 3 Oxa lá o Snr. R AMOS estivesse com a razão. Mas, se novas fo ntes de prod ucção de ouro não fo r~m creadas e não pozermos mão forte na repreza do th ezou ro, a impedi r as catad upas de ce– dulas e apoiices q ue da hi se d errama . . ., só a importação de ouro, de qu e nos fa lou o Sn r. R AMOS, - nos ha- d e salvar, e isso por meio de novos emprestimos a co nt rahir, naturalmente, na China, porquê a Eu ropa tão cedo nos não pod erá valer . . . Luiz Cordeiro. O ALGODÃO e a PECUARIA EM nosso numero ultimo fizemos ligei ra re ferencia ao algodão e á pecuaria qu e, por sua alta importa ncia, merecem commentarios e apreciações especiaes nesta R.e11ista. Disse mos então que a cul– tu ra d e arroz se torn ava um facto entre nós assim como a do algo– dão que de fu tu ro talvez fosse o genero da nossa g rande colh eita ao lado da pecuaria, a qu al precisava sentir a acção fo rte dos gover– nos ; qu e a bo rracha seria a inda po r muitos a nn os, mesmo a pre– ços baixos, um g ra nd e factor no co rmn ercio da Amazo nia, mas, p recisavamos desde já procura r exe rce r a nossa actividade n'outro ramo de ex pl orações. Não condemn amos a indu stria ex tractiva nem a d evemos aban– don ar desd e que seja, como a inda é, re nnine rativa. Mas, d evemos co nsi derai-a sempre o que ell a d e facto é entre nós : - uma in– dustria incipi ente qu e tende a d esa ppa recer aggrava ndo as co ndicções de qu em nella e só nell a se fi a. . Na ex periencia fund amos o nosso parecer, affi rmando que as culturas do milho, do feij ão e arroz, são basta nte re nd osas na Ama– zon ia,· porém, mais trabalhosas e me nos prod uctivas qu e o algodão, que prod uz aq ui com mais preco cid ad e e efi cie ncia, fl orescendo, ~n1pluma11do mui tos a nnos após, sem mais trabalh o do que lig eira hmpesa dos ca mpos no p rimeiro ann o d e colh eita. . Demais, o serviço d e ca pin a e preparo da_s terras é menor no cul trvo d este g enero q ue não soffre a devastaçao dos passaros, por– cos selvagens, capivaras e veados, como se dá com os cereaes qu e, ~Jorisso, ex ig em fo rtes e dispendiosas cercas, vig i1 ancia e cuidados 111 nu meros. Já tivemos occasião d e ve rificar qu e cada q uatro pom– ba_s ga legas abatid as, tinham 110 papo 150 grammas d e arroz co– mido em um dia, atti ngindo a 150.000 kil os a quantid ade ingerida po r cada 4.000 pombas qu e em 30 dias co nsumi riam 4.500.000 ki– los d esse cerea l. Ora, n~m só essas aves perseg uem as pla ntaçõ es que se cobrem ele ve rdadeira~ nu vens d e periq uitos, ma racanãs, papag aios, juritys, rolas, verdad eira aluv ião q ue tudo d es ba rata, d estru iucl o roças in teiras. Roças cercadas a arame farpado de 5 a 10 ce ntímetros d e ara– me a ara me, não resistem ás capivaras ... e tire-se proveito d e co- lh eitas de cereaes ! · ~ ada ~ isso se dá com O algodão que se to rn a de m~ is facil colh eita, nao deixa nasce r 110 campo as g rami nias o u prag as, po u– pando um g ra nd e s erviço, como O d e lim peza dos campos, q ue ta nto encarece as colheitas e ntre nós o nde a mão d e obra custa ca nssima. Além d isto, temos O seu ~on sumo garantido d e nt ro do paiz, pod end o enviai-o, em permuta com outros productos, pará todos os Estados : Minas tem 59 fabricas com 8.048 operarias, S. Paulo 78 d itas, o Districto Fed era l 35 o Estado do Rio 27, Santa Catharina 15, Bahia e Ma ranhão 13 ~ada 11 111 Rio Grand e cio Sul . 1_2 , Ceará 10, Alagoas 10, Pernambuc~ 9, Para:,á 8, Serg ipe 8, Es prnto Sa nto 3, Rio G rand e do No rte, Pia11 hy, Pa ra hyba do No rte cada qu al uma num total d e 303 estabelecime ntos fabri s a consu• mir algodão d entro do paiz. T odos esses Estados permutariam comn osco os seus p roclu ctos. Os E. U. A. qu e produzem ma is d e 12.000.000 d e fard os de algodão d e 48 1 i cada um, tee 111 a hi urn a da s uas maio res fo n– tes de renda e essa produ cção é qu asi toda absorvid a d entro do proprio paiz, com um va lor q ue se eleva a cerca de 800.000.000, dos quaes são e xport a d os, co m o materia prima,- ape nas un s 300.000.000 de do llars. O va lo r dos caroços e fare llo de a lgodão represe nta ainda um g ra nd e valor em materia prima q ue se eleva a mais de S 23.000.000 de dollars, se nd o de mais de 20.000.000 o valor de oleos, a pós o beneficiamento. ão é meno r a nossa probabilidade de exito tratand o-se da pecu aria. Temos só na ilha de Maraj ó um total de vaccum estimado em 600.000 ca beças, qu e se pod e eleva r ao d écuplo. A mortalidad e ahi é normalmente d e 16 a 32 °lo e mais quand o sobrevem um g rande _verão. Tomando por méd ia 24 °lo , perd e-se não menos d e 48.000 bezerros a nnua lmente por motivos qu e mais de espaço nos occuparemos. Tomand o-se a méd ia de 120S réis para o mer– cado, encontra-se 5.800 co ntos a nnu almente de prej uízo em uma in– du stria, em uma riqu eza qu e estamos desbaratand o. Se melhorar– mos esse gado, por cruzamento, rom gado eu ropeu, e elevarmos o seu pezo a 600 o u a 800 kil os, teremos uma méd ia trez o u quatro vezes maio r do qu e actualmente apura mos, ou sejam 22.200 contos . de réis d e producção annu al, que dobrará em cada 4 annos, se cessar essa mortalidade; ou sejam duas vezes · e meia mais em cada dez annos = a 55.500 co ntos de réis que a C 0 d e 16d re pre– senta i 3.700.000 de re nda, va lor exportavel jamais atting ivel por liquidação annual d e toda a borracha do Amazonas. Para obter tão g ra nd e resultado nã o seria rasoavel q ue os po– deres publicas ince ntivassem essa fo nte d e receita ? Accresce q ue nem só isso seria o resultado a obter: - a pecuaria é uma g ra nde industria; é a arte de criação e tratamento d e gado generalisada, a que se alia a indu stria de lacticí nios e seus correlactos, com ser lambem a percursora das grand es lavouras a que se acha, natural– mente, ·ligada. Os campos d esbravados para as colheitas, os resí– du os imprês taveis para a venda como lamb em os do gado, impres– taveis para negocio, são sub-produ ctos que se compl etam tão bem entre a lavoura e a criação, aliada natural da ind ustria que se chama hoje agro-pernaria. Essa sim se rá um dia a nossa riqueza, será motivo do nosso o rg ulh o, 'da ; ossa g ra nd eza, po rq ue se rá o producto do nosso es– fo rço, o ex poente max imo da nossa perseverança, do nosso traba– lho, da nossa intellige ncia. M O R E I R A, G O M E S ·& Ca. ººººº ºº ºº ººº CASA BANCARIA º ººº º ººº º ººº S ACCA sobre Londres, Paris, Hamburgo, Brnxellas, N_ew-York, Barbados, diversas praças daSuissa, Russia, Turquia e Marrocos, todas as cidades e v1llas de Portugal, Hespanha, ltalta e prr nc1paes praças do Paiz. Fazem pagamentos por telegramma e em domicilias. Compram e vendem ouro prata e papel moeda de todos os paizes. Offerecendo vantagens em suas taxas. RUA 15 DE NOVEMBRO, 7 ( Caixa postal, 22 - Telel_)hone, 187 - End. telgr. : MATTA BOLSA do PARÁ C ONTI NUAM com ·pouco movimento os negoci os d~ nossa B_o l_sa, notando-s e alguma actividade somente em a po hces 9a D1v1da P ublica Federal e pouco mai s em Ba ncos d esta praça. E no tavel, , t bºlºd de das cotações qu e comqua nto baixas, a lgo porem a es a 11 a , , , . ' 11 d se verá em confronto com o ulh1110 numero teem me 1ora o como , . . 0 · A - do Banco do Para subr ra rn mais d e 10 /o desta R.ev, sta. s acçoes · · 9 • d · d t e e rcial chegaram a attmg rr 5 epo1s e e- e as do Banco omm < 80 preço qu e 11 inda manteem. rem sido cotad as a • 1 1 . d Comp:whias de Seguro , a g 11 ns se e cvaram e s trtu los e I b · . se estave is mas, nen lll ll1 at o u. · o utros ma nhveid·ani· 1 111 servi 0 ' prop riamente de Bolsa nesta p raca Nã o ten o 1 . • • ' apresentar um q uadro succ111to do movimento a n- difficil e to rn a · 1 • · , se ria bastante deseiave para nos dar uma 1dea do va- nu al, o qu e • · t · lo r do mo vimento no penod~ que or_a ~ev1s amos. Aba1~0 oHere- cemos ao leito r as informaçoes poss1ve1s e capazes de mtercssar quan tos comnosco labutam na i\mazonia :
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