Revista commercial do Pará - Janeiro - 1917
[ ., -- :1. 0 SEMESTRE DE 1917 13 ALGODÃO ANNOS Quantidade em tons VALOR ,: 1()00 papel 1908 3.564 206 3.295 1909 9.968 592 9.435 1910 11.160 893 13.456 1911 14.650 979 14.704 1912 16.774 1.037 15.561 1913 37.424 2.308 34.61 5 191 4 30.434 1.864 28.247 ASSUCAR 1908 31.577 306 4.884 1909 68.483 671 10.787 1910 58.824 679 10.605 1911 36.208 409 6.132 1912 4.772 56 841 1913 5.367 65 972 1914 31.860 372 6.766 FUMO - De 31.577 tcins em 1908 elevou-se a 68.483 em 1909, baixando a 36.208 em 1911, a 4.772 em 1912 e a 5.367 em 1913, para de novo elevar-se a 31.860 em 1914. Disto resultou que depois do valor se ter elevado a 19.707 con– tos, baixou em 1912 a 841 contos e subio a 6.766 contos em 1914. _ Superfluo seria buscar mais exemplos, pois, ahi está a expor– taçao de carnes surgindo de chofre com o valor de 1.800 contos o anno passado, para se elevar neste anno, talvez, a mais de 30.000 contos. Ao passo" que a nossa producção e exportação é cheia desses colapsos e repelli ões, a importação que independe menos do nosso esfo rço qu e do productor qu~ aqui rios vem vend er os seus pro– ductos, subia progressivamente de anno para anno, com toda a orde_m de um serviço organisado, tendo soffrido interrupção de continuid ade, tão sómente por effeito da guerra. Vejamos a IM- PORTAÇÃO: ' 1910 713.863 contos ou i 47.872.000 1911 793.716 . . i 52.822.000 1912 951 .370 . . i 63.425.000 1913 1.007.495 « i 67.166.000 1914 561.853 i 35.473.000 Assim, se ha de faze r o equilíbrio necessario por motivos superiores á nossa vontade e independente do nosso proprio es– fo rço. Será defeito da nossa propria educação ou desorganisação, mas, 0 facto é qu e a falta existe e se precisa remediai-a, sendo o mo– m_ento o mais propicio para uma organisação do trabalho e reco n– stituição das nossas fin anças avariadas . Eramas um paiz essencialmente agricola. Contando grande num~ro de propriedades agricolas, faziam-se as colh eitas ~e-gui ares. Os . filh os dos faze nd eiros constituiam fa mili a •com seus v1s111 hos e, muitas vezes entre parentes, concentrando e reuni ndo as fortunas, accu n1ulando os capitaes para a ex pl oração do negocio. como se r o.cede na _Europa e E. U. A. O fil ho do lavrador era lavr~~or. mtroducçao da politica entre a cl asse ou da cl ass e na polihca, fez_ cada f~ze ndeiro as pirar um pergami nho pa ra o filh o e O seu u~ico dese10 passou a ser o de ter um titul ado na fam il ia: - me– dico ou bacharel. O fi lho fa mil ia dahi levado á côrte ou ás capi– taes das antigas Provincias, desinteg ra lisavam-se do sen meio, acos– tumavam-se a um outro ambiente. Providos do din heiro paterno, qu e prodigamente lhes era fo rn ecido a titu lo de mezadas, torn a– vam-se dessipadores, perd11 larios, gastadores impenitentes, t erd end o o habito do trabalho. Casavam-se nas cidades e dahi não mais qu eri am sahir. Com a morte dos paes, que eram os produ ctores, ex tin guia-se a fo nte de riqueza, extingui a-se tudo : partilhava-se o patrimonio, dissolvia-se o cottage, desapparecia o Home para dar logar ao aspirante á burocracia ; e, a proporção que lhes iam falt ando os recursos, bai xavam as aspi– rações até a m~diocridade de um obscuro emprego publ ico ond e perce– bessem alguma cousa sem nada faze rem. Sobreveio a lei de 13de Maio e os libertos abandonaram o serviço, parando de chofre as grandes ex– ploraçõés agricolas para dar logar as pequenas colh eitas parcelladas de alguns e bem poucos que então e até agora pl antam pequenas roças que ·pouco mais do que o consumo de cada um produzem. Assim desappareceram, pela dispersão, os patri monios, espha– celaram-se os grand es dominios, venderam-se parcelladamente as posses e tudo quanto ahi tinha algum valor foi abandonado ou fi– nou-se com uma class e poderosa, productora, que concentrava os maiores capitaes do paiz, o qu al, por sua vez, dahi hauria a sua maior fonte de receita. Cresceu a indu~tria extractiva, que não era de ninguem e era de todos, e a Natureza ficou obrando ao lado da Providencia que véla por este grande paiz. S. Paulo que primeiro sentia as agruras do momento, procu– rou recursos na colheita do café e, como em tudo que nos cara– cterisa, excedeu-se a si mesmo. Com o impeto muito nosso, incrementaram o negocio ao ex– cesso, resultando a superproducção qu e veio morrer no Convenio de Taubaté. fi camos no café e a borracha até qu e nos obrigaram a fazer outra cousa. Hoje surgem os frigo rificos e com o mesmo fragor cresce o negocio de carn es congeladas .. . Entre esses dois periodos, S. Paul o se fez industri al, um tanto antecipadamente, e luta hoje por consolidar essa situação, pois, não é impunemente nem de salto qu e se viola as leis da evolução dos povos. felizmente alli se trabalha e, pela educação que se está dando ao povo, certo estamos, o grande Estado do Sul conseguirá ligar os dois élos construidos separadamente, estabelecendo a con– tinuidade eficiente de vid a a qu e almeja. Embora mais morosa– mente, sem saltos bruscos, Min as encaminh a os seus publicos ne– gocios com mais ordem, sem grand es surtos de in iciativa, mas, vae caminh ando . . . Se são verdadeiros os informes que nos chegam do E. do Ri o, novos horizontes alli se nos antolha. Rio Grand e do Sul, Paran á, Santa Cath arin a, consolidam seus negocios internos e apparelham-se para nova phase de vida. E como ? - Voltando-se para o campo, ás suas culturas, á reconstitui– ção das fazendas abandonadas, chamando ao seu seio os filh os pro– digos que os haviam deixado pelo commodismo de um precario emprego publico ou em busca do almejado pergaminho. Só pela edu cação de novas gerações e a concentração dos ca– pitaes conseguiremos retroced er até o ponto em que deixamos a boa estrada, cumprindo aos paes e gove rn os emprehend erem com afin co a nova campanh a. Aos govern os a iniciativa, o in citamento, a creação das escolas ruraes ; aos paes, o estimulo aos filh os, do– gmatisando, apostolando pelo amor á terra como o íman de super– felicidade do homem. Só assim eliminaremos os desfibrados . .. os gosadores, ind e– cisos e temerosos, espalh ando pelos campos a NOVA SEMENTE a produzir lavradores cultos e habilitados, pois, a maior parte dos insuccessos neste paiz é dev ido a incapacidade de quem emprehend e qualquer cousa sem se sentir com a coragem precisa para confe ssar qu e lh e falta os conhecimentos mais rudimentares para o desem– penho da missão a que se propoz. As im pois, tudo se rezmn e e concentra ni sto : - fa lta de habil itação em particular e fa lta de ·edu– cação das massas, em geral. L. C. M O RE I R A, G O ME S & Ca. SECÇÃO de FERRAGENS GRANDE DEPOSITO_d e todos os_ Arlig< de Ferragens, Cutelana, Armas, R.,f\es, C mente, Tintas, Oleos, Diversas Especialidades Americanas, Kerozenc, Onzolina , el RUA 15 D E NOVEMBRO, 7
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