Os Jesuítas no Gão-Pará suas missões e a colonização bosquejo histórico com vários documentos inéditos

~--- ----====---------~--------=-- -~-- - U L T IMOS A NNOS D E A N T ON I O V I E IRA 99 governantes confirmavam na <lesusada arrogancia do trato. Vibrou-lhe o ultimo golpe o con:.le da, Ericeira no P ortugal Restaurado, onde o amigo de Dom João IV se via, na sua pro– pria phras,e, louvado com descredito ou desae1-editado com lou– vores. A tanto não poude resistir em silencio, e respondeu com a celebre carta, em que faz a apologia da sua carreira politica. Depois, a tarefa de limar e imprimir as suas obras lit– terarias, de que os contemporaneos desdenharam, foi o ultimo esforço desta intelligencia luminosa, a debater-se na onda de indifferença em que se lhe afundou a velhice. Tal fo i o destino memoravel deste homem. Ao serviço da religião tinha consagrado a sua vida; ao da patria o cuidar de todos os instantes e os dotes preclaros de um entendimento penetrante; mas a inveja, o preconceito, o interesse, o fizeram condemnar por infiel aos ideaes, que foram o guia da sua existencia. Morreu agarrado á chimera que o seu desejo das grande– zas da patria lhe suggerira. Não fenecera ainda, na sua ima– ginação, o quiuto imperio sonhado. Quando, no segundo ma– trimonio de Dom Pedro II, nasceu o primogenito, esse foi o escolhido em sua alma para vencer o mahometano e cingir a corôa do mundo. A morte, ao cabo de poucos dias, cortou essa esperança. Então o visionaria prometteu aos paes angus– tiados outro varão: a esse tocaria finalmente O imperio. Mal sabia elle que ia nascer Dom João v, 0 monarcha de Odivel– las, e do valido frei Gaspar da Encarnação! Felizes, ainda assim, as almas, em cujo seio O mysticismo faz desabrochar a flôr dos immarcessiveis ideaes ! ...

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