Os Jesuítas no Gão-Pará suas missões e a colonização bosquejo histórico com vários documentos inéditos
86 OS J ESU ITAS NO GRÃO- PARA que no reinado ante·cedente manifestara aos judeus. Al guem denunciou ao Santo Officio o escripto intitulado -Esperanças de Portug al uo Quinto Imper io do Jvlundo - que enviara do Amazonas ao bispo do Japão. Acudiu a tempo um amigo po– deroso, e interpoz-se a protecção da rainha; mas dera- se o primeiro pass?, e a seu t empo havia de produzir resultados. Desprezando as intrigas, o jesuita não só perante a regente e nas secretarias de estado pleiteava a sua causa : queria tam– bem domar a opinião publica, talvez rebelde ; para isso usou do pulpito, logar costumado de seus triumphos. O sermão da Epiphania, prégado na capella real, pouco tempo após seu desembarque em Lisboa, é uma fogosa dia– tribe contra o proceder dos colonos. Neste discurso, que pela violencia ficou celebre, a colera do orador, não satisfeita de verberar as pessoas, abrange os proprios Jogares, que foram t estemunhas da offensa, appli cando-lhes palavras de indignação e desprezo. O estado de ond e viera expulso é- um rz·ncão ou arrabalde da Amer ica -; Santa Maria de Be1em- quat1'o citou– panas, que com o uome de cidade poderam ser a patn·a do Anti· Cltrzsto ; e, comparada a Argel, Lisboa, que viu entrar por sua barra os sacerdotes de Christo captivos e presos, sente que o mar lhe está lançando em rosto o sojfrimt1tto de tamanho escandalo. Empregando por uma parte, para domar a opinião, os re– cursos da sua brilhante oratoria , o jesuita fiava muito do seu valimento com a rainha para alcançar uma sati sfação estron– dosa. Comtudo, por inclinada que estivesse a princeza a favo– recer-lhe os desejos, fo rçoso lhe era ceder á opinião dos minis– tros, que, temendo novos disturbios na colonia, recommenda– vam prudencia. Os autores da Companhia diss imul am a derrota, com exal– tar a g randeza de animo de Vi eira. Invocando a memoria do rei Dom João IV e do prínci pe Dom Theodosio, como quem de ambos a g ua rdava tão querida, lançou-se ·o aggravado aos pés da regente implorando o perdão dos culpados; ao que Dona Lu iza respondeu : Hoje ?'esuscite o Maranhão por amor de Antonio Vieira! 1 T al fo i, no dizer do chronista, a scena i~crivel, por effeito da qual escaparam os amotinados ao im- 1 BARROS, Vida, pag. 2 o 9 .
RkJQdWJsaXNoZXIy MjU4NjU0