Os Jesuítas no Gão-Pará suas missões e a colonização bosquejo histórico com vários documentos inéditos
OS JESUITAS NO GRÃO- PARÁ o labéo constantemente lançado sobre as missões. O memo– rial de Jorge de Sampaio não é conhecido: sepultou-se na des– ordem dos archivos , se mãos descuidosas ou interessadas o não sumiram. Mas a primeira hypothese será Ihais p rovavel. Te– mos porém a resposta de V ieira, em que o jesuíta , ponto por ponto , rebate a argumentação do accusador. Foi redigida no Porto, em setembro de 1662, quando o autor, já no desterro, forçadamente se viu liberto dos cuidados da politica, em que se abysmara apenas chegado. E ntão a mudança de gove rno transformara os prospectos da demanda, e os artigos contra os jesuítas eram acolhidos, diz Vieira, - « como verdades do Evangelho; posto que nelles (accrescenta) não ha palavra , nem syllaba, nem lettra, que não seja clara e manifesta menti ra »- 1 . O papel é ex tenso, e dell e se colhem todas as minucios i– dades da contenda existente, desde 1653, entre colonos e je– suítas. A ameaça, insinuada pela camara do Pará nas pala– vras : «- Vossa Pat ern idade lembre-se da promessa q ue os missionarios fizeram a Sua Majesta de de que não !taviam tirar lucros dos z'ndz'os " - , fizera-se realidade. A ruina das missões estava ali, e de todas as imputações lançadas á Ordem esta t inha de ser até hoje indelevel. A increpação de: amor pelos b ens terrenos que, mais tarde , como havemos de ver, era fun– dada, não se justificava por então ; e Vieira defendia-se della, como da mais grave offensa, que se lhe podia irrogar. Mais ainda : desviando o golpe, fazia-o reflectir por inteiro sob re os colonos e as autoridades, repet indo as accusações, que não dei– xara de enunciar desde a sua chegada, pela primeira vez, ao Ma– ranhão. Adiante de tudo, como primeiro argumento, collocava a probidade de sua vida, o desinteresse de que, em todas as circumstancias, dera provas. No decurso da sua carreira di plo– matica, tivera á disposição avultadas sommas, podendo gas– tai-as - «sem outro conselho mais que o do seu parecer, nem outra fé mais que a de sua palavra »-; e as con tas, que dellas havia p restado , sabiam-no todos. De mercês e favo res reg ios nenhuns quizera acceitar. Na Hollanda, ficando de posse da 1 « Respost~ aos C:.pitulos que deu co~tra os religiosos da Companhia o procurador do Maranhão Jorge de Sampaio», impressa em MELLO Mo– RAES. Chorograplna Histarica. Tom . 1v.
RkJQdWJsaXNoZXIy MjU4NjU0