Os Jesuítas no Gão-Pará suas missões e a colonização bosquejo histórico com vários documentos inéditos

OS JESUITAS NO GR,\.O-PARÁ capitães-móres do Maranhão e do Pará. Agora tocava ao Su– perior das Missões designar onde e quando tinham de se fazer as entradas, e propôr o cabo da escolta, para a tropa de res– gates. O governador não podia recusar a força armada, nem alterar a época e o destino das expedições. Mas a principal victoria fôra na parte relativa aos índios livres. As aldeias, que antes eram sujeitas a ~eus capitães , quasi sempre mamelucos nomeados pelo governador, ou, conforme a lei abolida, aos principaes, que os mesmos indios escolhiam entre si, passavam á administração dos missionarios, por cuja autoridade neces– sariamente se annullava qualquer influencia extranha sobre esses mag istrados indigenas. Desta maneira, e supposto o pa– pel importante que os indios ri::presentavam no organismo da colonia, o Superior das Missões podia imag inar que em suas mãos se achavam realmente os destinos della. Com diminuto numero de companheiros , pois ao t odo não passavam de vinte, sua autoridade dilatava-se por centenas de leguas, e abrang ia enorme população. Onze aldeias de índios mansos no Mara– nhão e Gurupy; seis nas visinhanças do Pará, sete no Tocan– tins, vinte e oito no A mazonas, constituíam por então o do– mínio effecti vo dos jesuítas; mas cuidavam elles j á de se apos– sar da indomavel ilha de Joannes, e sonhavam impera r em t odo o immenso rio, ainda incognito, que, no seu longo curso e nas innumeras ramificações, era povoado de tantas e tão di– versas gentes, materia prima escolhida da catechese. E ntre– tanto, nas duas capi taes do Estado, com a escola, o pulpito, o confessionario, governavam não sómente o índ io simples, senão tambem o europeu, muitas vezes ins ubordinado, mas sempre devoto, e de cujo numero uma parte lhes fi ca ria, em todas as circumstancias, fie l. Não será, pois, temeridade imaginar que, desembarcando com taes auspícios no Maranhão, o grande visionario desco r– tinasse, num futuro proximo, as incontaveis gentilidades do Amazonas totalmente sujeitas á sua Ordem ; e logo mais um imperio mais vasto, religioso e temporal, talvez similhante ao que seus companheiros fundaram no Paraguay. Não seria este um solido alicerce para o Quinto Jmpn·io do Mundo, já então desenhado e vivaz na ebullição constante de seu cerebro? "

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