Os Jesuítas no Gão-Pará suas missões e a colonização bosquejo histórico com vários documentos inéditos

r o ESTABELEC IMENT O DAS MI S S ÕES 5I Entre os mais violentos distingue-se o procurador do se– nado Jorge de Sampaio, que depois, já em avançada edade, tem de ·morrer no patibulo, como fautor da revolta de 1684. Orando ao povo, reclama que se embarquem os religiosos numa canôa rôta , para que busquem satvação nalgum mi– lagre. De noite os exaltados acommettem o collegio; e, encon– trando no caminho o piloto e alg uns marinheiros da caravela em que viera Antonio Vi eira, sobre elles vão de espada ergui– da, punindo-os de haverem trazido os j esuitas. Para socegar o tumulto, teve de saír o capitão-mór com a guarda, dispersando pela força o ajuntamento. No dia seguinte os vereadores, cafndo em si, e receando comprometter a sua causa perante o governo da metropole, repudiaram o movimento, que a elles principalmente se devia, e vieram ao co!legio dar satisfações ao superior. Por sua vez o missionario, ainda não ag uerrido nestas luctas, buscava meio de capitular honrosamente. Aproveitando a occasião de tratar com o capitão-mór Balthasar de Sousa , conveio na s usp ensão da lei, acceitando os moradores o exame dos captiveiros. Pa ra esse objecto se constituiu uma junta, da qual o p roprio Vi eira fazia parte. Por deliberação della bastantes índios saíram fôr– ros, sem mudança porém da sorte anti ga, livres por decret o da junta, mas permanecendo em captiveiro , como a t é ahi, com a promessa de salarios jámais pagos. Anton io V ieira, que por agora desejava a paz, fi ng ia crer na realidade do accordo. , Do pulpito celebrou a concordia, suggerindo os termos da representação que se devia faz er ao governo. A harmonia era comtudo mais appa rente q ue rea l. Por fóra soavam os mesmos boatos hostis. Corria que os pa– dres ensinavam aos indios que por direito todos ell es eram fô rros, e a voz publica continuava a attribu ir-lhes, talvez com justiça, a inspiração da ultima lei. Acalmada por esta fó rma a agitação, as camaras de São Luiz e de Belem elegeram os p rocuradores, que t inham de apoiar na côrte as reclamações da colonia. Martim Moreira, q ue já exercera o ca rgo de ouvidor, ia rep resentar o Maranhão; Ma– noel Gued~s A ranha fo i o enviado do Pará. D avam mais força ao memorial as recommendações de Antonio Vieira, que jul– gava t er afinal vencido a desconfiança aggressiva dos moradores. ,o

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