Os Jesuítas no Gão-Pará suas missões e a colonização bosquejo histórico com vários documentos inéditos
ESTABELECIME 'TO DAS MISSÕES 49 talvez sincera; entretanto, publicando as ordens regias, dava ~ prova de influencia na côrte, e manejava uma arma poderosa / contra os adversarias, ainda insubmissos. É facil de conceber o l alvoroço que similhante acontecimento suscitou na colonia. Reuniu-se em tumulto a camara, cujas explosões anarchicas periodicamente temperavam a despotismo da autoridade, e exigiu a suspensão da lei, até posterior resolução da metro– pole. Ignacio do Rego obedeceu sem esforço. É claro que o bem dos índios, pelo qual reclamara na Europa, não passava de um pretexto. Quem por elles havia requerido em Lisboa não fóra o sentime!1to da justiça, senão a vaidade em derrota e a cubiça prejudicada. Obtido, com a reposição no governo, o almejado desforço, a resistencia do povo, longe de contrariar a Ignacio Barreto, favorecia-lhe os planos; por essa razão foi acolhida com benevolencia. No Matanhão , todavia, quer o novo capitão-mór receasse promover, logo á chegada, um levante popular; quer as or– dens que tinha lhe impu zessem nada fazer sem o concurso do superior das missões; quer finalmente, pelo secreto intento de lançar sobre este· ultimo a responsabilidade de uma providen– cia tão odiosa dos colonos; certo é que, por muito tempo, até á chegada de Vieira, nada deixou transpirar elas instrucções referentes aos captiveiros. Entretanto iam os jesuitas pondo as suas em pratica. Em– quanto o grosso da missão, composta por ora ele nove suj ei– tos, entre padres, estudantes e coadjuctores, - estes ultimas e ram os servos da communidade -, se estabelecia em São Lui z, partiam dois á conquista do Grão- Pará. Foram esses os padres João de Souto Maior e Gaspar Fragoso, que desembarcaram em Belem a 5 de dezembro. D esta data se deve contar o prin– cipio das missões. Os primeiros tempos foram duros para os reli g iosos , que tinham de luctar com a mal querença gera l. Os escriptores da ( Companhia referem por miudo as manifestações da hostilidade popular : pedras arremessadas á fragil cobertura ela residencia; bloqueio elas ruas circumvisinhas, impedindo a passagem de viveres; vozear de grosserias e ameaças; emfim todas as mal– dades de um populacho insolente, contra indivíduos inermes e, por natureza ou proposito, i'f1clinados a soffrer. Por ultimo a
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