Os Jesuítas no Gão-Pará suas missões e a colonização bosquejo histórico com vários documentos inéditos
l , 1 1 . . , ESTABELECIMENTO DAS MISSÕES 39 migos, para assim mais se accender o odio reinante entre as duas nações indígenas. Impedindo os missionãrios tanto quanto podiam estas praticas, não lhes foi demorado grangearem a inimizade dos brancos: e o que vamos vêr no Pará não será mais <\,1e a reproducção do que se passara nas capitanias do sul, em annos anteriores. II De par com a hostilidade cios colonos, participavam os re– lig iosos muitas vezes da animadversão dos índios convertidos, j á naturalmente inclinados á desconfiança. As doenças que accommettiam os neophitos, em razão da mudança de vida e costumes, e pela communicação com os europeus, attribuiam– nas a malefici os dos padres ; outras vezes ao baptismo; damnos de que buscavam defender-se por meio de conjurações ri– tuaes l. Além disso, para tornar-lhes os missionarios suspei– tos, bastava a circumstancia de serem brancos ; pois « a vida pouco exemplar da gente portugueza (que naquelles tempos obrigada por justiça ia povoar o Brazil) sua cubiça, seus en– ganos e sua devassidão nos costumes, faziam entre aquelles gentios odioso o nome portuguez » 2 • O primeiro jesuíta, que pisou terra brazil!ca, foi o padre Manoel da Nobrega, ido em I 549 com o governador Thomé de Sousa. De bordo da nau saíu com uma grande cruz alçada, guiando seis companheiros, entre os quaes Anchieta, para da r p rincipio á g rande obra, mallog rada mais tarde, da preserva– ção dos indios. Ultimamente, estabelecida a residencia no Pará , fô ra realizada a aspiração de tantos annos, e desde e extremo norte, no Amazonas, a té da parte do sul aos ultimos confins do Brazil, o immenso t erritorio estava conquistado para a Companhia. O Pará abria-lhe assim, nesta parte do mundo, 0 1 . c Em certos logares, quan?o sabiam q~te estavam para chegar os pa– dres, niuntava-se toda a commumdade, e queimavam pimenta e sal, como para retel-os e esconjurai-os não fossem para diaute. » VASCONCELLos, ibid. 2 V ASCONCELLOS, ibid . l1 l i
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