Os Jesuítas no Gão-Pará suas missões e a colonização bosquejo histórico com vários documentos inéditos
OS JESU ITAS NO GRÃO- PARÁ No extremo da pequena cidade, junto ao mato, no Jogar Ja então denominado a Campina, levantaram os amigos do apostolo mesquinha palhoça. Ali fizeram residencia e capella. O Christo devia regosijar-se naquella humilde morada, tão despida de atavios como o presépe de Belem, e onde almas ainda mais singelas que as cios pastores da Judéa vinham adorai-o e escutar a lei nova. Desta maneira tomou a Companhia assento no Pará. O resto do Brazil já então lhe pertencia, e em Portugal estava o seu dominio firmado ha~ia muitos annos. Pobres, obscuros, humildes, estes homens de coragem e fé haviam-se imposto á nação, impellida á decadencia pelo excesso de uma transitoria prosperidade. Á cubiça, ao desregramento, á mollicia, tinham elles opposto a viva demonstração elas mais austeras virtudes. Os conquistadores do Oriente, brandos pelo abatimento do caracter, acceitavam facilmente o jugo desses homens resolu– tos e de sã consciencia, que para se rvirem um grande ideal abdicavam a vontade propria, todos os interesses humanos, as inclinações mais caras. O mesmo voto ela obediencia absoluta era para elles uma força; pois onde encontraremos alforria mais completa das peias que nos suj eitam as acções ? Receios de consciencia, considerações por terceiros, incertezas do por– vir, de tudo isso viam desannuviados os horisontes do espirito, que livre se podia consagrar ás obri gações de uma nobre cau5a . Recommendados por Dom Pedro de Mascarenhas , enviado de Portugal junto á Santa Sé, vieram á côrte de Dom João III os dois primeiros jesuítas. Um delles, Francisco Xavier, partiu logo para o Oriente, onde sua passagem foi como um rasto de brilhante meteóro. O outro , Simão Rodri gues de Azevedo, ficou sendo cm Lisboa o oraculo do governo. Mas, recusando as gra– ças do soberano, elle e seus companheiros viviam em absoluta pobreza. De dia mendigavam nas ruas, á noite pousavam nos hospitaes; serviam os enfermos, visitavam as cadeias, p réga– vam na praça publica, exhortando os transeuntes á penitencia. Similhantes praticas a muitos pareceram ridículas. A mesqui– nhez da existencia, a compostura modesta, que os novos apos– tolos adoptavam, não podiam dar-lhes prestigio entre um povo costumado a ver no clero o~ entações de opulencia e dominio. • \
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