Os Jesuítas no Gão-Pará suas missões e a colonização bosquejo histórico com vários documentos inéditos
30 OS JESU ITAS. NO GRÃO- PARÁ ás riquezas naturaes. Antonio. Vicente Cochado, piloto-mór de Pernambuco, que guiara desde São Luiz a expedição de Cas– tello Branco, havia subido mais de quatrocentos leguas a por– tentosa corrente. Foi elle que por uma vez destruiu um en– gano fatal aos navegantes : o mundo geographico soube afinal que o Grão-Pará, e o rio por onde Orellana descera, faziam um só. Cochado marginou o delta, e achou que I 30 leguas pela terra dentro a corrente se divide em dois braços. P,or in– dicações suas, o cosmographo Pedro T eixeira debuxou em Portugal um mappa, onde com exacção e clareza pela pri– meira vez se inscreveram estas costas. Infelizmente parece ter-se perd ido este precioso documen to geographico 1. Grande fo i a surpresa dos portuguezes quando ao seu pri– meiro posto, em Gurupá, viram chegar os fugiti vos. F amintos, semi-nús , hypnotisados pelo terror dos selvagens, mal sabiam dizer por onde vinham, que terras tinham atravessado. Perdi_ dos na solidão immensa, assombrados do volume das aguas, por vezes agitadas como as do oceano, receosos de algum en– contro funesto com tribus indomitas, - consideravam milag roso o salvamento. Tinham caminhado, por seus calculos, duzentas leguas entre as ribas desertas, quando se lhes deparou nova região populosa, a província dos omaguas, onde os doceis sel– vicolas lhes forneceram mantimentos. Desceram sempre as aguas caudalosas: não vi ram o E l-Dorado nem a casa do Sol, mas na bôca do Tapajós lhes saíram ao encontro os ind ios bravos, e os despojaram de tudo que traziam . A inda cÕmbali– dos do susto, receberam, como benção do céo, o agasalho dos portuguezes. A aventura lhes parecia es t upenda; e a viagem superior ao limite das fo rças humanas. Considerando os peri– gos e a ~ovidade do acontecimento, uns e outros, salvadores e so~corndos, attribuiram a milagre o impulso da empresa, e o feliz desfecho della. ~ Cf. Viaje dd Cr,pit,111 Pt•dro Teixeira por M. Jimencs de Ia Espada. Madnd, 188 9 . ' o
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