Os Jesuítas no Gão-Pará suas missões e a colonização bosquejo histórico com vários documentos inéditos
( - O DESCOBRIMENTO que parece, encontrado a passagem, e como faltassem muitos mais para rematar a construcção, abalou-se novamente em busca de ouro e prata, com que tencionava voltar á Espanha, abandonando a idéa da conquista. Após elle seguiram os com– panheiros, quando puzeram a nado a embarcação. Doceis in– digenas os guiaram por complicados esteiros, até onde o Ama– zonas proprio vai procurar o Atlantico. Antes deste foram dar numa terra firme , chamada dos indigenas Comno, talvez Cumaú: devia ser a costa da Guyana, onde está hoje Macapá. Um rio de pouco espaçoso leito cortava esta terra : póde-se crêr fosse o Mutapy. Ahi lhes trouxeram os indios mantimen– tos diversos, entre os quaes aves da Europa. Descendiam por ventura das que alguma expedição anterior tinha deixado: Pinzon, Diogo de Lepe, ou o incognito Maranon, de quem não apparecem vestigios, mais que as não provadas asserções dos historiadores. .Entretanto, novas do capitão não havia. Na mal segura embarcação, arrostando a cada instante com a morte, entra– ram finalmente no oceano. Ventos e correnteza os levaram á ilha Margarita. Lá encontraram a viuva do adiantado, que lhes contou a morte deste e a segunda deserção, mai s criminosa, se é passivei, que a primeira. Enfermo e desanimado , não en– contrando o caminho da reg ião maravilhosa, cujas riquezas annunciara a Carlos V, tinha resolvido o abandono dos seus, quando Lhe veio a morte. Dos que tinham saído com elle de Espanha, poucos resta– vam. Esses tinham passado fomes, sedes, trabalhos e priva– ções sem conto; tinham visto perecer muitos companheiros á mingua, outros de molcstia , dezesete ás mãos dos selvagens. Da ilha Margarita os sobreviventes da expedição separaram-se, in~o proseguir em outros pontos do Novo Continente o sonho de ambição, pelo qual tinham abandonado a serenidade ela ex istencia na patria. Anna ele Ayala foi desse numero. 4
RkJQdWJsaXNoZXIy MjU4NjU0