Os Jesuítas no Gão-Pará suas missões e a colonização bosquejo histórico com vários documentos inéditos
.. 22 OS JESUITAS NO GRÃO- PARÁ cindíveis, mas a mulher do capitão, Anna de Ayala, ia rica de joias, sedas e bordados. A pôpa do maior navio, onde se achava aquella, estava cheia. de mulheres, não se concedendo a nenhum passageiro chegar-se para lá. Tudo isto, e a indis– ciplina reinante a bordo, eram prenuncias funestos de des– graça. Em Sevilha · o povo presagiava mal da expedição; as autoridades, scientes das faltas e abusos, quizeram obstar á partida; mas, quando as ordens chegaram a São Lucar, já a frota se havia feito ao largo. A viagem foi longa, e copiosa de accidentes infelizes. Apor– taram primeiramente a Tenerife, para fazer aguada; deixaram– se ficar lá tres mezes, á espera de recursos da Europa, que nunca vieram. D 'ahi foram buscar cento e cincoenta vaccas a uma da s ilhas de Cabo Verde, onde permaneceram mais dois. Foi-lhes fatal a demora, porque adoeceram muitos de. moles– tias da terra, perecendo noventa e oito. No surgidouro se vi– ram acossados de temporaes, com que perderam onze ancoras e amarras, tendo de abandonar uma das embarcações, para não ficarem as outras inteiramente desprovidas de ferros. Na hora ela partida desertaram cincoenta homens, e entre elles al– guns officiaes de postos superiores. Rematou esta primeira serie de infelicidades o fugir da conserva um navio , que tinha a bord~ setenta e sete pessoas, onze cavallos, e um bergantim destin'ado a navegar os braços menores do Amazonas. Desta embarcação nunca mais houve noticias. As outras duas prosc– guiram a viagem, com tempos contrarias e falta de aguada, valendo aos navegantes as copiosas chuvas, sem as quaes te– riam todos perecido. Com todos estes incommodos chegaram á vista de terra, reconheceram o cabo de S. Roque e, segui ndo a costa, pas– aram perto e á vista do Maranhão. Esta circumstancia, mencionada por um dos companheiros de Orellana, é mui importante por nos mostrar que a gente da frota bem sabia não ser o rio das Amazonas o Maranhão dos portuguezes, confusão vulgar naquella epoca 1. Conti– nuando por mais umas cem leguas, na distancia de doze da terra, encontraram agua doce. Era este si g nal que o capitão t V cj:1-sc no Appcndicc a now A. .... " • i
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