Os Jesuítas no Gão-Pará suas missões e a colonização bosquejo histórico com vários documentos inéditos

O DESCOBRIMENTO 19 No caminho, entre as populações mais ou menos hostis, encontrou Orellana, ou julgou encontrar, as famosas amazo– nas. A apparição desta fabula foi o ultimo golpe na fortuna de Pinzon. III Passando de Cubag ua, onde finalmente aportara, á E spa– nha, Orellana tomou terra em Lisboa. A not icia da viagem p roduziu sobresalto. F izeram-lhe p ropostas para ficar em Por– tugal : não as attendeu e proseguiu na jornada. Em Madrid desculpou-se como poude da deserção, e tratou logo de requerer o governo das novas te rras que pe rcorrêra. Não viu porém acolhida a faça nha, como esperava . Receavam na côrte que a descoberta ca ísse dentro da demarcação por– tugueza, e b rotassem d 'ahi complicações com a nação rival. Ao cabo de não poucas diligencias conseguiu afinal o governo que solicitara, com o titulo de adiantado e as va nt agens inhe– rentes ao cargo. As obrigações, todavia , eram pesadas. Todos os gastos da expedição, á sua custa. Devia levar pelo menos 300 homens, sendo roo de cavallo; oito religiosos para as missões ; e o necessario para fab ricar duas caravellas, que voltassem logo com as novas da povoação e descobri mento. Os navios, pe– trechos bellicos e marit imos, eram tambem por conta do adiantado. Debalde pedia el le que Carlos V lhe mandasse dar ar til haria para as naus; licença para levar pilotos portuguezes, unicos que na sua opi nião, conheciam as costas; e marinheiros da mesma nação fami li arizados com aquelles mares: tudo lhe re– cusavam. Com difficuldade ia Orellana alcançando o cabedal preciso para tão custosa expedição. T emos que pôr de parte a lenda dos thesouros carregados no bergantim de Pizarro. Da carta deste consta sómente estarem na embarcação todas as armas de fogo, e as ferragens dos cavallos. Ao mesmo t empo, Orel– lana defendia-se dos que lhe imputavam a deserção premedi – tada, allegando t er deix ado n.o arraial, além dos escravos,

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