Os Jesuítas no Gão-Pará suas missões e a colonização bosquejo histórico com vários documentos inéditos

• - 18 OS JESUITAS NO GRÃO-PARÁ cães e cem cavallos, pungidos pela fome, comiam os couros, os cintos, as solas dos sapatos. Alguns, que se alimentavam de raizes e folhas desconhecidas, ficavam loucos . No desespero de ver mortas as suas illusões, Pizarro voltava-se contra os indios, que não sabiam dar-lhe noticia da regifio imag inaria que buscava : a uns mandava queimar vivos, outros lançava aos cães, que os devoravam. Num bergantim, com algumas canôas e sessenta homens, saíu adiante Orellana, procurando o Jogar onde, no dizer dos indios, a expedição poderia prover-se de mantimentos. o barco, referem alguns, ia um thesouro de esmeraldas e moeda, pertencente a Pizarro. É mais um engano, que t emos de jun– tar aos muitos desta aventura. Com trabalhosa viagem, pas– sou Orellâna do rio Coca ao Napo, e deste rompeu no Ama– zonas. Quando se demorava em terra, apparelhando materiacs para a construcção de novo bergantim, ouviu pela primeira vez os naturaes falarem das indias guerreiras. Embuste do na rrador ou falsa interpretação da gi ria, mal entendida na bôca cio selvagem? Desvanecida a illusão do paiz fabuloso, pela qual viera, o caudilho rejeitou a empresa ingloria de voltar a Quito, com os Jamcntaveis restos de uma_tropa, que de lá saíra inebriada das mais ricas esperanças. Avante o impellia o amor das des– cobertas que, como a ambição, era sentimento innato nos ho– mens da sua tempera. Os companheiros lisonjeavam-lhe O in– t ento. Deixou-se arrebatar pela correnteza das ag uas, talhando para si um reino nessas vastas regiões. Em Pizarro não pensou mais, e, certo, grande surpresa foi a s11a, quando o soube livre do apertado lance em que ficara. Alguns historiadores imputam a Orellana o nefando crime de ter abandonado, sósinho e sem recursos, na solidão do deserto a Fernão Sanches de Vargas, que se oppuze ra , e , . _ , a lllga como acto de trai çao. Mas dessa accusação devemos absolver 0 caudilho Não ha documento algum por onde se l) i· IJ ' · ove. 1- zarro na carta de queixa, que dirige a el-rei na- 0 11 . · • . . . ' 1enc1ona similhante facto ; nem a propna v1ct1ma que no d' d • 1zer os narradores, logrou salvar-se, apparece a reclamar , como era natural, o castigo_ do offensor.

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