Os Jesuítas no Gão-Pará suas missões e a colonização bosquejo histórico com vários documentos inéditos

I O DESCOBR IMENTO 17 Em toda esta demorada descoberta pullulam illusões e en– ganos. Um destes, que subsistiu por muito tempo, foi o de se confundir o rio do Pará, na sua foz, com o Amazonas pro– prio. Por elle se explica a funesta aventura de Orellana, quando em 1 544 foi tomar conta da conquista da Nova An– daluzia, premio da sua deserção e cobarde abandono de Pi– zarro. II Tétricas figuras são as destes heroes do Novo Mundo, quando nos apparecem espalhando o terror entre as popula– ções doceis e inermes; arrostando perigos, trabalhos e priva– ções incri veis, na busca de thesouros e domínios; descobrindo em toda a sua hediondez a perversidade humana, quando para contei-a falta a hypocrisia do resp eito ás ieis. Como alcateia de feras, assolando os bosques, nunca esses aventureiros se viam fartos de sangue; e de ouro e poderio tinham sêde insa– ciavel . Na escola delles se educou Orellana. Nascera em Trujillo, mais ou menos por I 5 1 I, da mesma estirpe dos Pizarros, posto que em remoto g rau . Partiu moço para a America. To– mando parte nas luctas contra A lmagro, perdeu um olho na campanha. Nomeado gove rnador de provincia, funda Santiago de Guyaquil. D'ahi sáe para acompanhar a Gonçalo Pizarro na esperançosa jornada ás terras da Canella. Compunha-se a ex_ ped ição de duzentos e vinte espanhoes e quatro mil indios; cêrca de duzentos cavallos e camellos lhamas, os ultimos como bestas de carga; gra nd c numero de porcos para sustento ; e ma tilhas de caça para aperrear os índios inimigos. Não vem aqui repetir as por demais conhecidas miudezas desta viagem. A historia tomou á tradição t odas as maravi– lhas, para relembrar as tristezas da aventura. Casos de fomes terríveis, barbaridades inauditas, thesouros fabulosÔs exornam a narraçã_o. Primeiramente o _frio rigoroso nos montes faz pe– recer muitos soldados. Depois de sacrificarem cêrca de mil 3 - -~--- ------...

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