Os Jesuítas no Gão-Pará suas missões e a colonização bosquejo histórico com vários documentos inéditos

r • O ORGA 'I SMO COLONIAL 143 não raro dando logar á vingança, em que varios desses evan– g elizadores pe rderam a vida. Entretanto ia- se consummando a ruina dos senhores que, riquíssimos pela extensão de terras possuídas, se viam de um instante para o outro reduzidos á extrema penuria. Isto suscitou a idéa, patrocinada pelos jesuítas, de se promover a introdu– cção de escravos africanos, panacéa em todos os tempos appli– cada no Brazil aos males dos colonos. Tal foi a origem das duas companhiélJ de commercio privilegiadas : a do Grão-Pará de que no Jogar proprio nos occuparemos, e a do Maranhão j á citada, que assignalou com um episodio tragico a longa se– rie de contendas, em que se resume a historia política do Pará– Ma ranhão neste seculo. Este trafico, uma s vezes por conta da corôa, outras concedido por contracto a particulares, era para os que o exploravam boa fonte de receita; mas nenhum alli– vio trouxe á sorte dos índ ios, que continuaram a vive r escra– vi zados, ou dos moradores , cujas queixas não houve razão de cessarem. VI Para aggravar a pouca invejavel situação cios habitantes, concorria tambem o defeituoso regimen político da colonia. J\os inconvenientes da exaggerada centralização admini strativa, exercida pela metropole, accresciam outros de procedencia lo– cal, egualmente nocivos. T aes eram os do poder absoluto que a rrogavam a si os governadores ; a demasiada autonomia e a turbulenci a elas cama ras; os abusos de jurisd icção cio b ispo, quando o houve, e elas autoridades ecclesiasticas ; os absurdos pri vil eg ios dos capitães-móres; os conflictos cios mag istrados entre si ; a compli cação e incerteza elas leis constantemente re– fo rmada s; tudo isso p rodu zi ndo o antagoni smo ci os fun cciona– ri os, o emba te cios poderes, a ana rchia nos servi ços p ubli cos e, como ultin~a conseque~1ci a, o descontentamento geral. Os negocios da administração da coloni a corri am em L is– boa p elo Conselho Ultramari no (primeiramente Conselho da Inclia), competi n c1o á Meza de Consciencia e O rdens os assum-

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