Os Jesuítas no Gão-Pará suas missões e a colonização bosquejo histórico com vários documentos inéditos
O ORGANISMO COL ON IAL captiveiros; mas dessa peia libertavam-se a miude os interes– sados, partindo clandestinamente, e evitando assim a incom- moda vigilancia dos religiosos. -1 Deste modo ia desapparecendo a caça humana, anniquilada r -, como a outra pela frequencia das batidas. No tempo do go– vernador Ruy Vaz ele Sequeira (1 662-67), pela costa do Ma– ranhão até Gurupá , no Amazonas, não havia mais indios ; era nccessario ir buscai-os muitas leguas pelo rio acima, e nos affluentes. As empresas de resgate saíam tão mortiferas como as proprias guerras, por tal forma que, com as muitas baixas resultantes das longas e penosas viagens, e descontando os que fugiam, não se apuravam, nas duas cidades de Belem e São Lui z, mais de 400 escravos por anno 1. Quando as expe– dições eram bem succedidas, chegava ao Pará sómente a me- tade: imag ine-se o que seria nas outras! Uma vez cuidou-se de erigir um hospital para que, á mingua de tratamento não perecessem todos, tamanho era habitualmente o numero dos enfermos e inutilizados pela fadiga e privações 2. Os que resta- vam sãos e robustos eram portanto em numero insufficiente para compensar os mortos e estropeados, e contentar as ne– cessidades da população em augmento. Repartidos os índios pelos moradores, continuava ainda a mortandade ; pelo que di zia Vieira á camara de Belem : « Por mais que sejam os escravos que se fa zem, mais são sempre os que morrem > 3 . Para isso concorria o trabalho das fazen– das , sobretudo a cul tura da canna de assucar e do tabaco, tarefa cm demasia pesada aos indios, mal habituados á continuidade dos serviços penosos. Além das doenças , que estas raças in– feriores sempre adqu irem no contacto dos brancos, os maus tratos que recebiam eram outras tantas causas de molest ia e morte, não ob st a nd o ª isso as leis repre sivas repetidamente promulgadas . Dos tormentos a que os sujeitavam, basta lem– brar que era corren~e marcarem-se os captivos com ferro cm brasa, para os dcstmg uir dos fôrros e tambcm para serem reconhecidos pelos donos. Os mortos'. as mais das vezes, < ou 1 VIEIRA. Resp. aos rap., 25 _ 2 C. R. de 20 outubro de 169 o. 3 B ERREDO, A1maes, § IOl o,
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