Os Jesuítas no Gão-Pará suas missões e a colonização bosquejo histórico com vários documentos inéditos
14 OS JESU IT AS NO GR;i:O- PARA Reciprocamente os successos com os indios do Amazonas foram parte importante nos destinos della; e, se a sua aboli– ção em Port~gal promoveu, ou pelo menos apressou, como não é licito negar, a suppressão realizada mais tarde por Cle– mente XIV, póde-se egualmente asseverar que este ultimo evento deriva em grande parte das relações entre colonos e missionarias paraenses, e de uns e outros com os indígenas da região. O asserto não é novo, e já um sabio profundamente ver– sado nas cousas do Brazil o propoz. « A historia da suppres– são da Ordem dos jesuítas , diz Martius \ explica-se, no que diz respeito a Portugal, pela posição adquirida por elles no Pará . • Mesmo sem isso, todavia, os episodios da lucta secular en– tre as duas raças pela posse do sólo, terminando pela excl u– são da menos idonea, não perdem o interesse. S e bem que repetido em t odos os inst antes da vida das sociedades, o es– pectaculo é desses que jamais fati gam a attenção do obser– vador. Pela parte que os discípulos de Loyola tomaram na con– tenda, poderemos referir as phases extremas da mesma a dois nomes de jesuitas, que para nós a symbolizem; ambos egual– mente, posto que por motivos di ffe rentes, afamados na hist o– ria. Começou a Companhia a ser verdadeiramente poderosa na America portugueza com o g rande Antonio Vieira : neste ponto culminant e da disputa todas as probabilidades são em favor dos indigenas. Desappareceu esse poderio quando as cinzas do inditoso Malagrida, suppliciado á ordem de Pombal, iam ser lançadas ao vento: e desde logo a ob ra da · catechese e aproveitamento dos selvagens para a civilização foi mallo– grada. Estes dois nomes assignalam o principio e o fim das missões do Grão-Pará , o inicio e o abandono de um grandioso tentamen. Arrancados os indios á tut ela dos reli giosos, e en– tregues definitivamente ao poder civil, condemnados á destrui– ção foram por uma vez os esparsos restos, ai nda subsistentes, da raça autochtone. . 1 Artigo da Rtvista do Instituto Historico t Geograpbico do Rio de ] 11- 11ezro, Tomo 6:-Como se ha <lc csr_.-ever a historia do Brazil ?
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