Os Jesuítas no Gão-Pará suas missões e a colonização bosquejo histórico com vários documentos inéditos

OS JESU ITAS NO GRÃO- PARÁ dencias » 1 . O privilegio foi conservado ainda no tempo do estanco. Desta sorte, ficando a mór parte dos generos em mãos das autoridades e corporações religiosas, e afastados por semilhante concorrencia os negociantes da metropole, po– demos calcular o que ficaria aos moradores. Por isso, Manoel David Souto Maior dizia consistir toda a riqueza dos portuguezes « em terem mais ou menos escravos índios >; Paulo da Silva Nunes representava a el-rei Dom João v que só no servi ço delles tinham « o ouro e prata , o vestido, o sustento e o unico e total remedio para a sua subsistencia » ':! ; e assim confirmavam os dizeres de Antonio Vieira que, refe– rindo as miserias do Maranhão, accentuava que « captivar in– dios e tirar de suas veias o ouro vermelho foi sempre a mina daq uell e E stado » 3 V Para obter e renovar est e elemento indispensavel á vida economica da colonia, tres meios e ram autorizados pelas leis : os captiveiros, os resgates e os descimentos. Eram captivos os indí genas colhidos em justa g ue rra, isto é , defensiva ou pa ra castigo de maleficios pra ti cados; resgatavam-se, a troco de ferramentas, contas de vidros e di xes varios, aquell es que, pri– sioneiros e ama rrados, esperavam a hora de servir de repasto a seus in imigos; descidos se di ziam finalmente os que, deixan– do-se convencer pelos missiona rios, abandonavam o se rtão e se estabeleciam na vizi nhança dos povoados, em agglomera– ções com o nome de aldeias, onde os moradores iam buscai -os para o serviço. Os da ultima catego ria, apesar da brand ura recommenda– da, não escapavam por isso á violencia, que e ra a fo rma na– tural de taes empresas. A cubiça dos colonos e ra nesse ponto 1 C. R. de 23 de março de 1688. 2 Repres. sobre a libcrd::idc e capti\'eiro, etc. 3 Resp. aos cap. , 25 •

RkJQdWJsaXNoZXIy MjU4NjU0