Os Jesuítas no Gão-Pará suas missões e a colonização bosquejo histórico com vários documentos inéditos

132 OS JESUITAS NO GRÃO-PAR,\ de 168 5, 1 dá á cidade quinhentos moradores; mas evidente– mente o termo aqui é empregado em sentido diverso daquelle que, pouco mais de vinte annos antes, lhe prestava Vieira. São Luiz contava nessa epocha mil e t antos vizinlws. Berredo, escrevendo cm 1722, attribue a Belem só quinhentos, o que prova não ter a população augmentado , como fôra de espe rar, no intervallo. Mas de todos estes numcros se deve excluir a escravatura, que não entrava no censo. Mal se coaduna a conta com a despovoação constante do reino, atrás apontada. Mas a emigração não se fazia só para estas partes. Saíam colonos para a Africa, para a Inclia, para outros laga res do Brazi l : isto succedenclo á continuação de guerra s, que sempre fôra a existencia da nação. Tinha morrido muita gente em Flandres e out ros campos, pelejando pela Espanha; assim t ambem defendendo as conquistas, no Oriente e na America. As luctas ela independencia arrebataram gran– de numero de homens vá lidos. Por ultimo, a inquisição e a vicia monastica rareavam ainda mais as alas cios trabalhado– res. Os que chegavam ao Maranhão e Pará melhor g rangea– vam suas vidas no sertão, que permanecendo na ociosa mise– ria da cidade; por isso não poucos a deixavam. IV Para todos a existencia era difficil, e raros logravam reali– zar suas àmbições de conforto e riqueza. Luxo não havia de especie alguma, e os objectos mais comezinhos e de uso in– dispensavel faltavam constantemente. Desta geral pobreza dão testemunho os documentos coévos. Os primeiros povoadores foram soldados que tinham ido á conquista do Maranhão, tão miseraveis que « raro chegou naquelles princípios a calçar meias e sapatos» !!_ Os homens, ainda os de mais categoria, vestiam– se de panno de algodão, tinto de preto; e os escravos, nas fa- 1 Noticiario Maranbeuse por João de Souza Ferreira. Ms. da Bib. de Evora, cit. ' 2 VIEIRA, Resp. aos cap. , 25.

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