Os Jesuítas no Gão-Pará suas missões e a colonização bosquejo histórico com vários documentos inéditos

ll4 OS JESUITAS NO GRÃO-PARÁ que apregoavam. Já reparámos que Vieira, na inconsciencia de quem realiza um levantado designio, não se apercebia da injustiça dos meios; mas, inquinado por ella, o seu plano tinha fatalmente de abortar. E o resultado foi que duas raças, egual– mente infelizes, se viram condemnadas a trabalhar, sob o lá– tego da terceira, cubíçosa e cruel. VI Em maio de 1680 chegaram ao Maranhão as cartas, pelas quaes os moradores ti veram particularmente noticia da lei nova. Os papeis officiaes foram enviados ao Pará, onde já então residia definitivamente o governo. A transferencia deste, para a que até ahi fôra capitania subalterna, explica-se pelos maiores interesses da corôa em territorio t ão vasto, abundante de riquezas, e vizinhando com duas nações extranhas. Mas lá era tambem o emporio dos indios, e dos productos naturaes recolhidos sem trabalho; e era o bastante para attraír a presença de autoridades, que na pratica do commercio, embora defeso, tinham os maiores rendimentos do officio. Emquanto não chegava a São Luiz .communicação do go– vernador, e as disposições da lei não eram conhecidas por miudo, crescia o alvoroço dos colonos. Alarmados com a nova de que perderiam os indios, faziam juntas, discutindo sobre o procedimento futuro. Muitos falavam em resistir, allegando, com os exemplos anteriores, que não se atreveria El-Rei a cas– tigar um povo inteiro. E quando tal fizesse, accrescentavam alguns, cm represalia se passariam ao flamengo. 1 O bispo, cioso dos jesuitas, era dos mais queixosos, e do pulpito falou contra a novidade. Em seguida, depois de con– ferir com os camaristas, dirigiu-se ao Pará, para fazer valer suas reclamações ante o governador. Mas, chegando, mudou 1 Carta <lo padre Francisco Pedrosa. Pará 28 de março de 1681. Ms. da Bib. de Evora.

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