Os Jesuítas no Gão-Pará suas missões e a colonização bosquejo histórico com vários documentos inéditos

II2 OS J ESUITAS NO GRÃO-PARÁ mostravam-se comtudo desvelados protectores dos que repu– tavam opprimidos, e não cessavam de reclamar para elles li– berdade e justiça. A chegada do primeiro bispo Dom Gregorio dos Anjos, em 1679, levou ao Maranhão novo elemento de discordia. Ambi– cioso, turbulento, atrabiliario, viveu elle em constante lucta com as autoridades, os jesuítas e os moradores. Occupava os índios em expedições de commercio, repartia-os entre os seus familiares, prendia e excommungava os cidadãos. Quando os decretos de I 680 restituíram aos missionarios o governo das aldeias, protestou contra isso, sustentando que não podia Sua Alteza privai-o de uma jurisdicção, que era sua delle– Uma nova disposição vedava-lhe tambem, como aos deposita– rios da autoridade real , os lucros do commercio. Foi isso ou– tro golpe, que ainda mais lhe accendeu o animo em revolta. Estas reformas deviam-se a Vieira, que pela ultima vez tivera voto preponderante nas coisas da publica administração. Tinham-se recebido em Lisboa cartas do governador, do bispo e das camaras, pintando com tristes côres a situação da colo– nia. A falta de braços activos servia, na forma costumada, de fundamento ás queixas. Reuniu-se conselho dos fidalgos mai s babeis na governação do estado, e convocou-se para elle o fundador das missões do Maranhão. O parecer deste ultimo foi, como era de presumir, pela autoridade da pessoa, admit– tido sem contrariedade. V otou-se a aboli ção dos captiveiros, devendo repôr-se nas aldeias os índios que andassem dispersos ou em serviço. Todos elles, considerados livres,Jicavam sujei– tos á repartição, pelo modo antigo, em tres partes, qas quaes uma se conservava alternadamente nas aldeias, para cuidar das lavouras, outra se dividia pelos moradores, e a terceira se dava aos missionarios para ser empregada nos d escimentos. Commetteu-se á Companhia de J esus, e a ella sómente, o en. cargo de ir buscar e converter os gentios. Devia além disso entrar na posse das aldeias, que tivera antes, e das outras, que na occasião estivessem sem parochos. Decidiu-se mais a extincção do monopolio, pedida pelos habitantes, e a introdu– cção de negros de Africa. Estas providencias, assim como a prohibição do commer– cio, que os governadores e mais autoridades continuavam

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