Os Jesuítas no Gão-Pará suas missões e a colonização bosquejo histórico com vários documentos inéditos

INTRODUCÇÃO II existente da Igreja christã. Como projecteis em peleja renhida , cruzavam-se no ar os anathemas e as injurias ; as chammas do Santo Officio lambiam já os postes onde se atavam os hereti– cos ; os corypheus das novas seitas lançavam tambem mão da fogueira, como argumento ultimo; os monarchas dividiam-se entre a idéa recente e a autoridade antiga; os povos aperce– biam-se para a lucta , que durante mais de um seculo havia de ensang uentar a E uropa central. Mas emquanto as consciencias protestantes se repartiam em g rupos, que reciprocamente se anathematisavam, ao lado do Pontí fi ce romano fo rmava-se a milicia reli giosa, que por duzentos annos havia de dominar cm quasi todo o mundo civilizado, e encher com seus feitos as paginas da historia. Essa porção da Ig reja militaute tomára por invocação o nome de Jesus. Gerara-se do asceti smo espa– nhol e ia crescendo e alastrando po r toda a E uropa. Apode– rara-se das conscienci as pelo confessionario e das intelligencias pelo ensino. Dominava nas universidades catholicas, e regia os destinos dos povos pela direcção espiritual dos monarchas. A prodigiosa força desta institu ição foi a solida muralha que se oppoz á marcha ovante do p rotestantismo. Num mo– mento cerrou-lhe ell a as portas da Península Iberica, batalhou com exito em F rança, e poude emfi m bloqueai-o na Allema– nha, onde ao sul e ao oriente lhe impoz limites ao domínio. Recrutando adeptos em todos os paizes , recebendo-os em todas as classes sociaes , a Companhia fo i combater todos os inimigos do pontificado romano no p roprio terreno em que as forças destes, com breve lucta, haviam ficado victoriosos. Den– t ro da A llemanha, no seio das popu lações adherentes á Re– forma, tal notoriedade em pouco tempo seus memb ros adqui– ri ram como professores, que até os filhos dos prot estantes corriam ás suas escolas. Bem depressa elles fizeram nascer a reacção catholica. E de onde vinham esses homens? eram espanhoes, italia– nos, flamengos e de outras nações. « Por mu ito tempo, nem 0 nome da sua ordem era sabido; chamavam-lhes os padres es– panhoes » 1 . 1 R ANKE, obra citada, liv. v, car . unico. •

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