Os Jesuítas no Gão-Pará suas missões e a colonização bosquejo histórico com vários documentos inéditos

" 104 OS J ESU!TAS NO GRÃO- PAR,Í. II E st ava di sposta a viagem dos religiosos para o reino, quando o novo capitão-mór Francisco de Seixas Pinto chegou, para tomar posse do cargo . A exemplo de Ruy Vaz de Se– queira, assegurava aos sediciosos respeito pelos factos consum– mados. Comtudo reuniu junta na casa da camara. O rou ao povo, e lhe fez ver que a violencia contra pessoas ecclesiasti– cas era passivei de penas espirituaes ; mas o temor da excom– munhão não acalmou os animos: em g rita redarguiu a turba que os padres se embarcassem. Entretanto dividiam-se na cidade as opiniões. A gente mais qualificada e ra já na maioria de parecer que a expulsão se sustivesse. Os missionarias tinham t ambem seus adeptos, alguns capazes de defendei-os pela força . Havia desordens em que tomavam parte as mulheres, sempre exaltadas nas ques– t ões religiosas. De a rma de fogo em punho, saía á rua a es– posa de Manoel David Souto Maior, tão enthusiasta como seu marido na defesa dos regula res, proclamando em favor delles. Não ob stante as declarações pacifi cas do capitão-mór, a gente sensata temia-se das consequenci as de tão declarada opposição á vontade régia . Perdido o respei to ás leis, o populacho sem freio promettia novos excessos. T inham-se retirado os jesuitas das aldeias, cuja admi nistração passara á cama ra: era isso bastante. Elles que se occupassem agora do espiritual sómente , e nenhuma razão haveria de os expellir do corpo da socie– dade, como partes nocivas. O capitão-mór, nos seus discur– sos favoneava estas idéas, esperando a occasião propicia de man ifestar -se. Afinal satisfizeram seu intento os exaltados. Os relig iosos saíram em duas embarcações, cuja partida os adversarias , em magotes na praia, ru idosamente festejavam . V iam-se emfim livres da oppressão de tantos annos; nenhuma ba rreira mais se interpunha entre elles e a riqueza, que eram as tribus co– piosas do sertão. Mas ainda não entrado no oceano, rio abaixo, um dos barcos, ao primeiro embate das ondas, começou a fazer agua. • · -- - j

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