Os Jesuítas no Gão-Pará suas missões e a colonização bosquejo histórico com vários documentos inéditos
102 OS J ESU ITAS NO GRÃO- P ,\ RA de se reter o superior na Europa era já meio caminho andado para a pacificação. Isso não obstante, devia-se contar com a resistencia, e, na impossibilidade de appellar para os meios coercivos, o deleg~do da côrte ia disposto a recorrer aos as– tuciosos, dando por bem feito tudo quanto os ruaceiros haviam praticado. Antes de chegar á barra de São Luiz perdeu-se uma das naus, desastre que não só diminuía a força, como o prestig io da expedição. O accidente deu animo aos culpados, mais pujantes desde que no pequeno apparato de tropas reconheciam a fraque– za do governo. Assim pois, no acto da posse, exig iu o povo que Ruy Vaz declarasse por escripto não ser portador de ordem contraria á expulsão dos jesuítas ; ou que, bem que o fosse, a não cumpriria. O governador acceitou a humilhante intimação. Reservava-se para mais tarde dar execução ás ordens, que a fallencia de recursos lhe impedia, por emquanto, de tornar effe– ctivas. Desta maneira passaram dois mezes, até que successos occorridos no Pará lhe facilitaram para isso ensejo . Nesta capitania, o exito da revolta fôra menos completo. Scientes, pelo exemplo de São Luiz, do que deviam esperar, os jesuítas retiraram-se a ·t empo da cidade, refug iando-se entre os índios. Deu isto á facção opposta motivo de allegar que haviam desamparado o collegio, indo introduzir nas aldeias a desordem. Não lhes valeu porém fugirem : um após outro fo– ram colhidos, e levados ao Pará, onde ficaram em custodia. Presos os jesuítas, que se encontravam nas vizinhanças da cidade, mandou a camara intim ar os ultimos dois, ainda li vres no Amazonas, que baixassem a reunir-se aos companheiros. O padre João Felippe Betendorff, belga , que na sua chronica manuscripta deixou copiosa relação d'estes mot ins, era um delles. Iniciava então a sua carrei ra de missionario. E m Be– lem Antonio Vieira, apontando no mappa O primitivo traçado, todo conjectura!, do rio das Amazonas , most rara-lhe os terri– torios onde o domí nio da Companhia havia de firmar-se como . • 1 um 1mpeno, governando as almas singelas e doceis dos mdios. E ra esta missão a primeira com assento fixo fóra do po– voado. Em pequena canôa mal segura o altar portat il, alguns poucos mantimentos, os presentes sem valor : anzoes, agulhas, facas, missangas, com que se grangeava a complacencia dos e
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