A Vida de Carlos Gomes

' . .... l A VIDA DE lQCARLOS- GÇ)MES ' 47 7( r, ::::> ,, - rificou que só lhe restavam no-bolso duzentos e quarenta réis. Os amigos da republica de estudantes em São Paulo, o haviam providencialmente mu– nido de numerosas cartas de apresentação a pessoas importantes da Côrte, mas o seu pri– meiro cuidado foi escrever ao Pae, implorando o seu perdão: "Rio, 22 de Junho de 1860 - Meu Pae - Nem sempre se deve julgar as cousas pelas apparen– cias . Não só em Campinas, Itú, São Paulo, como em outros logares de nossa província deixa de ser conhecido o meu caracter . Por conseguinte, cheio de esperanças de que justiça me seja fei– ta mais tarde, dei o passo que dei. Uma idéa fixa me acompanha como o meu destino! Tenho cul– pa, porventura por tal cousa, se foi Vossemecê que me deu o gosto pela arte a que me dediquei e se seus esforços e sacrifícios fizeram-me ganhar ambição de glorias futuras? Não me culpe pelo passo que dei hoje. Juca foi testemunha do que se passou em São Paulo ; da estima e das ovações que recebemos dos estudantes. A educação que Vossemecê me deu e o meu pr ocedimento até hoje me dão o direito de esperar de meu Pae uma cer– t a confianca e um animador "espera". A minhà: intenção é falar ao Imperador para obter delle protecção, afim de entrar no Conser– vatorio desta cidade . Não perderei tempo ; tudo isto que lhe estou dizendo lhe desgostará pelo motivo de eu ter saido d e casa sem sua licença, mas tenho confiança na minha vontade e no pou– co de intelligencia que Deus me deu. Nada mais

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