A Vida de Carlos Gomes

A V I D A D E CARLOS G O M E S 45 mirador amigo, assumia as proporções de um heróe de romance. E elle mesmo, como novel d'Artagnan, clamava : - "Dê-me um burro, um asno, um camel– lo, mas que eu me ponha, agora mesmo, a ca– minho!" Os primeiros albores da madrugada en– travam pelas janella"s abertas e á porta da casa se ouvira o tropel do animal que Bitten– court Sampaio mandara buscar por um criado. Abraços gritos, hurrahs enthusiasticos cruzaram-se'nos ares, emquanto José Pedro, retomado por um vislumbre de hesitação, per– guntava ao irmão: A . ;>" - "Pois tu vaes mesmo, ntomo . - "Vou mesmo, sim!- exclamou Carlos Gomes, com todo o ardor intrepido da moci– dade. Os rapazes á janella, applaudiam viva– mente o porte e a resolução cavalheiresca do companheiro fugiti":o. José Pedro, ainda ac– crescentava: - "Tu queres enganar-me ! Isto é brinca– deira ! - Daqui a meia hora estarás de volta!" - "Qual! - bradou o indomavel artis– ta - só voltarei coroado de gloria, ou só vol– tarão os meus ossos !" E, fustigando o animal, partiu a trote lar! o •

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