A Vida de Carlos Gomes
A V I D A D E C A R L ') S G O M E S 33 necido o meu tio . Estava com fome! . . . Oh! seu Domingos, dê-lhé umas bolachas d'agua e umas azeitonas ... " - "Eu?, não senhor! Pois o homem toubou-me e ainda lhe devo dar comida ? r..iunca !" Em conclusão, meu tio, apesar dos protes– tos do vendeiro, não mandou prender o ladrão, fez-lhe uma grande prelecção de moral, fel-o testituir os objectos roubados e mandou-o em– bora munido de latas de sardinhas e biscoi– tos, que elle mesmo pagou ao vendeiro enfu– tecido. Comprehende-se facilmente que, graças a ~ste systema moralisador, exaggeradamente indulgente, José Pedro de Sant'Anna Gomes Se visse rapidamente destituido da vara de juiz de paz ! Antonio Carlos Gomes, se não ti– \rera aventuras exactamente eguaes a esta, foi, muitas vezes, envolvido em casos seme– lhantes, nos quaes sua bondade natural só lhe trouxera maguas e grandes prejuízos. Para completar a apparencia de perfeita saúde de que gosava meu Pae, recordo sua ma– ravilhosa dentadura, que nunca precisou da arte dentaria, a não ser para lhe substituir um incisivo, que perdera accidentalmente, ainda estudante, por occasião de uma de suas fre– quentes idas de Campinas a São Paulo. Conta Salvador de Mendonça, que, certa 3 f
RkJQdWJsaXNoZXIy MjU4NjU0