A Vida de Carlos Gomes
A V ID A DE C ARLOS GOMES 237 reconhecendo o heroe da vespera, o inunda de enthusiasticos protestos de admiração e apre– ço. Carlos Gomes comprehendia muito bem o inglez, porém não o fallava correntemente para poder dar a replica á sua exuberante admiradora. Aliás, estava com muito appeti– te. . . naturalmente só pensava no almoço! Chegando ao andar onde devia descer, inclinou-se para beijar a mão da senhora, mui– to amavel e galanteador, pronunciando calo– rosamente, á guisa de agradecimento: - "Fried eggs ! ... fried eggs ! (ovos fri– tos . . . ovos fritos) . Era o prato que costumava pedir diaria– mente, não gostando da comida americana. A expressão de surpresa da interlocutora deve tel-o despertado do lethargo de distração em que estava mergulhado e ficou consternado! Mas a admiradora já se sumia atraz das por– tas do elevador, que continuava em sua verti– ginosa ascenção, deixando-o para sempre na impossibilidade de r emediar aquella · involun– taria grosseria . E então nos bombardeava de cartas, di– zendo : - "Estudem inglez . . . Estudem inglez, meus filhos!. .. .Vejam o que acontece quan– do não se conhece as linguas estr angeir as. " Meu irmão Carlos André, para conten– tai-o, até o russo estudou! ...
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