A Vida de Carlos Gomes
A VI D A D E CARL O S G O M E S 199 quatro, terminando com um "Grandioso hymno ao povo americano"! Que dizes tu a isto? Que noticias tens do re– ferido annuncio? Tenho, entretanto, a te dizer o seguinte, para ficares sciente da minha situa– ção actual. Parti do Rio profundamente humi– lhado pela recusa do Congresso, e, ainda peor, com pouquissimos recursos pecuniarios, vivendo assim atordoado pelo susto da pobreza que se augmenta com o dia de amanhã... No Rio, entre– tanto, falava-se das festas Colombianas, e eu, va– guejando não sei o que, pedi ao amigo deputado Annibal Falcão de me traçar a téla de uma "can– tata" á Colombo, cujo trabalho tive em mãos no momento em que li o annuncio da re.ferida "can– tata" para a exposição de Chicago. A minha "cantata" a Colombo, não poderá ser executada na Italia, porque já foi dada commissão a um compositor italiano para escrever uma opera so– bre o mesmo assumpto em Genova, patria do he– róe. No Rio de Janeiro ser-me-á difficil obter au– xilio do Governo, tratando-se de cousa de actuali– dade, para elle secundaria. Difficil ao mesmo tempo porque a arte e o artista não tem a impor– tancia de um homem politico. Não me animo por– tanto a esperar nem merecer as attenções do Go– verno ... Dos particulares? ... muito menos ... Que fazer? Quero trabalhar e conseguir alguma cousa que satisfaça o meu amor proprio de artis– ta e que de algum modo me vingue da indiffe– rença dos meus illustres patricios, maximamente dos.~º,, Go~erno. "Summ~ superbian quaesitum mentis , disse pouco mais ou menos Horacio; mas, eu, não sendo nada vaidoso nem orgulhoso do meu fraco merecimento artistico, não creio po– rém, ser tãõ ''pequerrucho" como pareço aos
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