A Vida de Carlos Gomes

A VI D A D E CARL O S G O M E S 189 Já então elle tinha a promessa formal do Imperador de ser nomeado director do Conser– vatorio de Musica do Rio de Janeiro, onde ha– via afiado suas primeiras armas; o exilio de seu bondoso protector e amigo, deixava-o inteira– mente desamparado . Meu Pae nunca tivera côr politica. Era, antes do mais, um brasileiro que amava entranhadamente o seu paiz, mas era profundamente, sinceramente grato a D. Pedro II, assim como á familia Imperial . A desdita do Imperador veiu feril-o num de seus mais sagrados cultos de amizade e gratidão . No torvelinho dos primeiros momentos do regimen novo elle, fatalmente, não pode– ria ser considerado como "persona-grata" ! Era como um destroço do Imperio, um resto da derrocada monarchia e ninguem pensou que um artista do valor de Carlos Gomes domina sempre as convulsões politicas, que abalam as nações, permanecendo naquelle plano de ele– vação intellectual e moral, que illumina as trevas de todas as paixões humanas, conti– nuando a cobrir de eterna gloria os seus con– cidadãos, seja qual fôr o partido a que perten– çam. Carlos Gomes, entretanto, foi tambem, inexoravelmente, englobado nas antipathias e hostilidades em que mergulhou a memoria da familia Imperial. Recr udesceram então as calumniãs, a-s

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