A Vida de Carlos Gomes
A VI D A D E CARL O S G O M E S 179 Na noite da estréa, o Imperador promo– veu o maestro com o gráo de grande digna– tario da Ordem da Rosa. O "ESCRAVO" foi proclamado pela critica brasileira como a obra culminante do genial. maestro, e, unani– me, esforçou-se em relevar as innumeras bel– lezas da partiura onde se destaca o maravilho– so preludio do quarto acto: "A Alvorada" - trecho mu_sical de raros dotes descriptivos. cheio de matizes orchestraes evocando, em so– noridades vivas, a madrugada na floresta tropical entre o murmurio do arvoredo e o canto delicioso de nossos passaros, finalisan– clo com um dynamismo orchestral riquissimó e verdadeiramente empolgante. São oito paginas saborosas, formando um poema musical de infinita delicadeza e pujan– ça, que se poderia, talvez, criticar por ser de– masiadamente curto. O estylo de Carlos Go– mes, aliás, nunca é prolixo; nunca o maestro aproveitou suas phrases para repetil-as ao in– finito, em differentes arabescos orchestraes, tons ascendentes e descendentes, dando a im– pressão de formar composições de muito maior vulto quando constituem verdadeiros artifícios de technica musical, servindo prin~ cipalmente de enchimento, em arranjos, ·em– bora de arte suprema, como os encontramos frequentemente na magistral obra de Wa~ gner, de Liszt e Beethoven. Sua inspiração
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