A Vida de Carlos Gomes

A VIDA DE CARLOS GOMES 1~ dim com o espelho azul do lago de Lecco, ao longe. As paredes do interior da casa cobriam– se de panóplias com os adornos e as armas dos nossos indios . Eram os arcos e as flechas de diversas tribus brasileiras; tacápes, inubias, diademas e mantos de pennas de aráras - todo um museu, emfim, de curiosidades ~ndi– genas do mais pittoresco effeito~ ao qual não faltava a nota anachronica de uma meia <lu– zia de palmatorias. . . Relíquias que devem ter inspirado o maestro, com sua eloquencia evocadora, pois foi sob o lindo céo de Maggia– nico que se firmaram em sua alma as immorre– douras harmonias do ''ESCRAVO''. Meu irmão, Carlos André, estava interno no collegio real de Milão, emquanto eu, com as primas Maria e Elisa Monteiro, vindas com a mãe, de Campinas, uma para se matricular no Conservatorio de Musica, de Milão, e a ou– tra, ainda pequenina - bricavamos na chaca– :-a, remando no bóte verde e amarello, chama– do "Pindamonhangaba", sulcando as aguas turvas da "Lagôa Formosa" no fundo da pro– priedade. A pequena pensão, innumeras vezes pro– mettida pelo governo brasileiro, que t~ria sal– vo o maestro do desastre, dando-lhe a possi– bilidade de se entregar inteiramente ã sua arte sem a mortificante preoccupação do sus-

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